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Existe um tipo de pânico familiar a todos que já ficaram presos num elevador entre andares ou passaram tempo demais num transporte lotado. Os realizadores coreanos, ao que parece, colecionam esses momentos de propósito para depois transformá-los em atrações para o nosso sistema nervoso. Enquanto os blockbusters de Hollywood explodem cidades inteiras, os coreanos criaram uma tortura mais elegante — trancar o herói num quarto, carro ou buraco no chão e observar a rapidez com que ele (e o espectador) começa a cerrar a mandíbula de tensão.

O tema do espaço fechado é quase uma obsessão nacional no cinema coreano: desde disputas em apartamentos até escavações subterrâneas. E já que o verão de 2026 está tão quente que dá vontade de se enfiar numa sala de cinema fresca e tremer com os infortúnios alheios, é hora de recordar 5 filmes que farão você querer abrir todas as janelas de casa.

«Túnel» (Teoneol, 2016)

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«Túnel» de Kim Seong-hun pega uma situação extremamente banal — um homem a caminho de casa com um bolo de aniversário para a filha — e transforma-a num pesadelo quando um túnel recém-construído desaba sobre o seu carro. O herói interpretado por Ha Jung-woo fica soterrado vivo sob toneladas de betão com um telemóvel, 2 garrafas de água e o tal bolo que, com o tempo, se torna a única fonte de calorias.

O filme cativa pela honesta comédia burocrática do absurdo: enquanto o herói conta as horas de vida debaixo dos escombros, lá em cima os burocratas discutem se vale a pena continuar a operação de salvamento, já que esta atrapalha a inauguração de uma nova autoestrada. O realizador afasta-se conscientemente do pathos da catástrofe, concentrando-se no fator humano e no absurdo do sistema. O resultado é um caso raro em que um thriller de sobrevivência se transforma subitamente numa sátira social mordaz, sem perder uma gota de tensão.

«Desabamento» (Singkeuhol, 2021)

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Se «Túnel» assusta com o subsolo exterior, «Desabamento» decidiu enterrar as pessoas juntamente com o seu próprio prédio novo. A família finalmente celebra a mudança após 11 anos a poupar dinheiro — e na primeira noite a casa inteira desaba numa gigantesca cratera juntamente com os convidados. É difícil imaginar uma metáfora mais cínica da crise habitacional coreana: o sonho de um cantinho próprio literalmente suga os heróis para o submundo.

Surpreendentemente, o filme consegue ser simultaneamente uma catástrofe e uma comédia. Enquanto as personagens resolvem as suas relações no escuro entre os destroços dos móveis, os autores não se esquecem de gozar com o próprio género de filmes de catástrofe, o que torna a visualização menos traumática do que a descrição pode sugerir. Uma excelente opção se quiser assustar-se, mas não quiser passar os 3 dias seguintes a recuperar.

«84 m²» (84jegopmiteo, 2025)

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Um exemplo recente e particularmente doloroso para os millennials é o sucesso de 2025 da Netflix. Woo-seong vendeu terrenos, contraiu um empréstimo e até liquidou criptomoedas para comprar o apartamento dos sonhos em Seul, mas em troca recebeu um poço de dívidas e vizinhos que se queixam constantemente. A poupar em tudo, incluindo eletricidade, o herói vive num estado de ansiedade permanente, até que as batidas nas paredes começam a parecer um inferno pessoal.

O filme é particularmente bom na forma como o espaço físico do apartamento literalmente se contrai juntamente com a psique do herói — os autores brincam com o abafamento, a apertura e a sensação paranoica de que alguém o está a vigiar através das suas próprias paredes. Mais tarde, a trama apresenta uma reviravolta com a rede interna do apartamento hackeada, transformando um drama doméstico num thriller quase hitchcockiano sobre vigilância. 

«Contagem Decrescente» (Balsinjehan, 2021)

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O automóvel é o cenário ideal para um thriller sobre uma pessoa presa numa jaula, daquelas, sabe, pequenas, em movimento e com ar limitado. «Contagem Decrescente» usa este recurso da forma mais dura possível: o gerente bancário Seong-gyu leva os filhos à escola quando um desconhecido liga e informa que há uma bomba debaixo do banco, que explodirá se alguém tentar sair do carro.

A fórmula remete diretamente a «Speed», mas os coreanos adicionam um ingrediente característico — o passado corrupto do herói, que lentamente vem à tona e explica porque foi ele a vítima. Enquanto a polícia considera Seong-gyu suspeito em vez de vítima, a tensão dentro do habitáculo do carro cresce em sintonia com a desconfiança lá fora. O filme mantém o ritmo exemplarmente durante a hora e meia de duração, não dando ao espectador um segundo de descanso.

«Fechadura» (Doeorak, 2018)

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Encerra a nossa seleção um filme que explora o medo mais simples dos habitantes solitários das grandes cidades — e se alguém entra no teu apartamento quando não estás em casa? Kyeong-min vive sozinha num pequeno estúdio e gradualmente nota vestígios da presença de outra pessoa: ora portas abertas, ora objetos deslocados, etc.

Gradualmente, descobre-se que o estranho não se limita a invadir — ele literalmente esconde-se no apartamento dela, observa e manipula o espaço que deveria ser o lugar mais seguro do mundo. O filme transforma a própria arquitetura do estúdio numa arma contra a heroína, porque não há onde se esconder fisicamente. É precisamente a sensação de invasão do espaço pessoal que torna o filme tão inquietante, e não um conjunto banal de sustos genéricos.

O que une todas as 5 histórias é a recusa de cenários grandiosos em favor de um medo íntimo, quase corporal. Os autores coreanos conhecem o segredo principal da claustrofobia: quanto menor o espaço, mais desespero humano cabe nele.