Estreou nos cinemas russos a adaptação live-action do mangá de Yuto Suzuki, «Dias de Sakamoto». Compartilhamos nossas impressões e discutimos por que algumas histórias são melhores quando ficam nas páginas ou no anime.

Taro Sakamoto já foi um lendário assassino temido por todo o submundo do crime. Mas não conseguiu continuar na profissão. Ele encontrou o amor da sua vida, pelo qual abandonou tudo e jurou nunca mais matar. Sakamoto ganhou peso, abriu uma lojinha e comia macarrão tranquilamente. Até que uma grande recompensa foi colocada em sua cabeça. Então, assassinos começaram a se reunir nos subúrbios. Agora Taro precisa tentar esconder o que está acontecendo de sua esposa, e com os inimigos ele dará conta de qualquer jeito.
O mangá «Dias de Sakamoto» começou a ser publicado em 2020 e rapidamente ganhou popularidade em todo o mundo. A adaptação em anime do ano passado só consolidou o sucesso da obra original. Portanto, o live-action não demorou a chegar. E aqui está o resultado.
Um live-action é necessário para o mangá?
Vale a pena começar com a pergunta: «Vale a pena adaptar o mangá para o cinema?». Sim, se for uma história do cotidiano no estilo de «Nana». Onde, se removermos as emoções exageradas, resta uma história realista sem superpoderes. Enredos desse tipo existem e sempre existirão no cinema.
Mas quando se trata de shōnen ou outros gêneros de fantasia, onde a convenção da animação desempenha um papel fundamental, surgem questões. Lembremos da adaptação de «Ataque dos Titãs», que foi muito ridicularizada, ou de «Tokyo Ghoul». Até as tentativas da Netflix de adaptar «Death Note», aparentemente simples visualmente, fracassaram. O mesmo não se pode dizer da recente série de «One Piece». Ela se tornou praticamente a única adaptação bem-sucedida de um mangá que não é vergonhoso de assistir, muito menos de recomendar.
«Dias de Sakamoto» está entre dois fogos. Por um lado, o diretor Yuichi Fukuda se esforça para transmitir bem a história e fazer os efeitos especiais. Mas, por outro, ele cai no absurdo e na abordagem anime. Com emoções exageradas, perucas coloridas, figurinos e coreografia de lutas. Nem todas as coisas que existem no anime e no mangá funcionarão bem no live-action. Só se deve dar crédito pelo fato de que objetos físicos são destruídos em cena, e não pixels gráficos.

Problemas da adaptação
O filme não tenta ser uma obra independente, portanto, para um espectador não familiarizado com o mangá ou anime, muita coisa não será compreensível. Vejamos o caso de Shaotang Lu. A garota trabalha na loja de Sakamoto e possui uma força incrível. Mas de onde vieram essas habilidades, o que é a técnica da embriaguez — a adaptação não explica. Menciona de passagem que Shaotang é de uma família famosa. Sobre a qual também não se diz nada.
Devido ao fato de que «Dias de Sakamoto» mais corre pelas páginas do que as adapta, as lutas parecem apressadas, as piadas são vergonhosas e falta o épico necessário. Veja a cena em que Sakamoto conversa com sua esposa durante a batalha — no mangá é engraçado, no filme parece ridículo. O filme cobre toda a primeira temporada do anime e ainda termina com um cliffhanger. Para quem não está claro.
«Dias de Sakamoto» está repleto de vilões que mais parecem figurantes. No final, os heróis já derrotaram cerca de cinco personagens, mas seria bom lembrar de pelo menos um. A motivação dos principais vilões também é problemática. Além de passagens épicas e palavras grandiosas, praticamente nada é mostrado. Mas isso é mais um problema da obra original. O mangá não pretende ser uma obra profunda. «Dias de Sakamoto» lembra mais «One Punch Man» pelo seu absurdo e foco na ação, do que «Naruto» com seus arcos dramáticos. As lutas são bem coreografadas, mas os personagens permanecem superficiais.

Qual é o resultado?
Devido ao desejo de fazer uma luta louca, o filme perde o que fez a história ser amada. Nem o carisma dos personagens, nem cenas emocionantes são alcançadas. E os recursos infelizes de anime só pioram a situação. Câmera lenta, closes de rostos gritando, congelamentos repentinos — tudo isso funciona na animação, mas não no cinema. «Dias de Sakamoto» parece mais um teatro absurdo, onde o absurdo não joga a favor.
Para quem não conhece a história, a falta de coesão não permitirá aproveitar o filme. Portanto, não é por aqui que se deve começar a mergulhar no universo. E para os fãs, certamente haverá pontos para criticar. «Encontre todos os desvios do cânone» ou «conte as caretas inadequadas» — a única diversão que se pode ter ao assistir. «Dias de Sakamoto» em live-action é um experimento que não deu certo. Mas ele dá o que pensar: como não abordar a adaptação, mesmo da fonte mais dinâmica.
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