"It. Nightmare" (2026, EUA)
Os fantasmas são gerados pela nossa mente, mas isso não os torna menos reais
Não sei por que a triste notícia da morte de Hayden Panettiere me afetou tanto, mas há dias não consigo parar de pensar nisso. Para mim, ela é, antes de tudo, a série "Nashville", que eu amava loucamente na época. De certa forma, foi com ela que começou meu amor de longos anos pela música country.
Depois, Hayden para mim é "Pânico". E "Heroes" eu ainda não assisti.
Em meio a notícias tristes e pensamentos sobre como ela era jovem e como a vida a maltratou [para dizer o mínimo], decidi assistir algo com ela que eu ainda não tinha visto. E encontrei seu último filme, que até estreou nos cinemas aqui — "It. Nightmare".
Enquanto assistia, não conseguia me livrar da sensação de que estava vendo mais uma parte de "Sobrenatural", só que com Hayden Panettiere.
Tantas ideias foram tiradas da franquia iniciada por James Wan. Às vezes até frases como "Os fantasmas se ligam não às casas, mas às pessoas". E a própria cena da invocação da mulher exorcista-médium lembra em atmosfera exatamente "Sobrenatural", e não "Invocação do Mal", por exemplo. Embora eu ainda esperasse que Patrick Wilson e Vera Farmiga entrassem em cena.
Mas como acontece com quase todos os filmes sobre o sobrenatural, são histórias sobre dramas da vida real. Embora aqui o sobrenatural tenha sido necessário para chamar a atenção não apenas para o drama, mas também para os mistérios do nosso cérebro, ainda que de forma bem condicional.
A protagonista sofre de ataques mortais de sonambulismo. A causa desses problemas de sono são, hipoteticamente, espíritos malignos, especialmente o espírito do marido abusivo em coma. De repente, na investigação do que está acontecendo, irrompem também a religião e crenças ligadas ao misticismo. Mesmo que tudo isso seja apresentado de forma bem esquemática e superficial, isso ancora o enredo, afastando-o dos mundos fantásticos de "Sobrenatural" e outros filmes onde o além abre suas portas.
"Nightmare", obviamente, é mais um drama [não isento de humor] sobre abuso familiar, profundo sentimento de culpa, traumas e o fardo do passado, que é difícil [se não impossível] deixar ir. Tudo isso enlouquece a protagonista e seus familiares. E devo dizer que Hayden está ótima nesse papel. Como sempre em qualquer papel: ela capta o equilíbrio entre drama, ironia e distanciamento, sem exagerar.
Mas enquanto assistia ao filme, não conseguia me livrar do pensamento de como o filme é, em muitos aspectos, autobiográfico para ela. Talvez ela também sentisse isso quando aceitou o projeto. No geral, é por ela que vale a pena assistir a este filme, especialmente se você é fã dela. Mas no geral, é um terror médio razoável para a noite, com um final bom, que você não espera de um filme tão mediano.
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#resenhas
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