





Não pensei que escreveria sobre esta série, mas tentei discuti-la com alguns conhecidos e descobri que eles não só não a assistiram, como nunca ouviram falar dela. Então, desculpem, mas aqui vai.
No geral, dá para entender as pessoas. "Game of Thrones" começou bem, mas no final decidiu jogar contra si mesma e venceu – e todos nós perdemos. Perdemos também no sentido de que começamos a nos cansar de alta fantasia, baixa fantasia, pós-fantasia, metafantasia e qualquer história sobre alguém que é herdeiro de uma linhagem antiga e "este é apenas o começo de uma grande história". Enquanto "A Casa do Dragão", "Os Anéis de Poder" e "The Witcher" disputam entre si o título de série de fantasia mais cara e rica, estamos sentados assistindo "Andor", "Pluribus" ou, sei lá, "The Pitt".
Preciso lembrar de "A Roda do Tempo"? Sim, essa série existe. Eu também não assisti.
Então sim, dá para entender as pessoas. Quem em 2026 se importa com mais uma história "do autor da grande saga"? De novo cavaleiros e torneios, de novo alguém nobre e alguém traiçoeiro? De novo ouvir aquele "tá-tá, tá-tá-tá-tá"? Cara, qual é. Leia as notícias, tem o mesmo xadrez geopolítico insano, só que sem dragões.
Mas e se eu disser que em "O Cavaleiro dos Sete Reinos" não há xadrez, nem geopolítica, nem mesmo dragões? Como as pessoas gostam de escrever na internet, "O QUÊ? SIM!". Se você já tem uma rima na ponta da língua, não vou impedir. Mas o fato é que, ao longo de seis episódios, não veremos nem filhote, nem ovo, nem mesmo uma escama. Mas Westeros sem dragões é... é... é como "Star Wars" sem jedis! Ah, espera. Entendi o que você está fazendo.
"O Cavaleiro" realmente reduz a escala. Ele não quer ser maior que o pai, como "A Casa do Dragão". Ele quer ser menor, e consegue muito bem. Porque Westeros, filmado não do nível do Trono de Ferro, mas do nível da poeira da estrada, de repente se mostra vivo e muito humano. Aqui se discute não o destino do trono, mas o preço das armaduras, e se entra na tenda do lorde de Ponta Tempestade não para jurar lealdade, mas para jantar de graça.
O "tá-tá, tá-tá-tá-tá" também vai aparecer, mas será interrompido de forma tão repentina e idiotamente engraçada que você vai aplaudir de pé. Ou não. Vamos fazer assim: assista ao primeiro episódio até esse momento (gastará uns dez minutos) e entenderá imediatamente o que esperar da série. Sim, esses momentos também vão acontecer – afinal, é Westeros, e os parafusos na tela não são apenas de bestas.
Se não gostar, não vou julgar. Mas o fato é que o mundo dos Sete Reinos ganhou seu "Andor". E até um pouco de "The Mandalorian", considerando os protagonistas, um muito grande e outro muito pequeno. Tanto no sentido literal quanto no figurado.
E os episódios são bem compactos – cerca de meia hora cada, mais ou menos, então dá para devorar a história toda em uma noite. E será uma noite bastante agradável.
#assisti_a_série
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