Quando Cartier comprou a oficina de seu mestre, ele achava que os negócios iriam muito bem. A loja e a oficina ficavam em um bairro operário, onde era fácil encontrar funcionários.
Mas assim que Cartier teve a oportunidade, a primeira coisa que fez foi mudar-se para a Rue de la Paix, onde já estavam as melhores casas de moda e hotéis de Paris. A mudança abriu acesso à aristocracia e a estrangeiros ricos: a própria rua tornou-se um canal de marketing. A oficina, que fornecia joias para venda em qualquer lugar, começou a se desenvolver como uma verdadeira marca.
E existe também o conceito de clusterização de negócios. Você certamente já notou que as joalherias na cidade ficam na mesma rua?
A essência da clusterização é paradoxal: os concorrentes se fortalecem mutuamente se estiverem próximos. Os primeiros a entender isso foram os joalheiros: eles agruparam suas lojas e formaram um ponto de atração para o público rico, que vinha especialmente para comprar. Ou seja, agiam segundo o princípio "alguém vai comprar de alguém". Além disso, os bairros joalheiros ajudaram os clientes a se protegerem de falsificações, porque em qualquer beco qualquer tolo podia vender bijuterias, mas no bairro só entravam aqueles com algum nome no mundo da joalheria.
Clusters bem-sucedidos atraem outros negócios, menores, mas ambiciosos, que se instalam ao redor e começam a se alimentar da energia (leia-se: dos restos de dinheiro nas carteiras dos compradores) do bairro. Assim surgem histórias urbanas legais e lugares que os cidadãos adoram visitar e passar o tempo. Foi assim que surgiram o Vale do Silício, Skolkovo, Wall Street e, perdoem-me, Patriki.
Os princípios do place branding ainda funcionam hoje. Quer vender? Observe atentamente os vizinhos e quem o cluster atrai. Conheça bem o público-alvo. Se você não conhece nem o público-alvo nem os bairros de Moscou, pergunte a mim, já comi alguns cachorros-quentes amargos nessa área.
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