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'Alguém Tem que Morrer' promete um thriller psicológico, mas afunda na monotonia. Analisamos onde o filme com Snigir e Derevyanko perde o espectador — e a si mesmo.

Dois casais vão para um fim de semana para descansar, mas o que começa como um experimento psicológico rapidamente se transforma em um jogo mortal. 'Alguém Tem que Morrer' promete um thriller intimista com Yulia Snigir, Pavel Derevyanko e Aglaya Tarasova, mas a ideia é mais forte que a execução. O espectador se envolve com a ideia, mas a perde na monotonia dos desafios da trama e nas estranhas oscilações emocionais.

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Premissa: o primeiro passo para o desastre

Alguém Tem que Morrer 2026
Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'

O filme se apresenta como uma análise dos limites dos relacionamentos através de uma situação extrema. A heroína de Yulia, ao descobrir a traição de seu marido Mikhail (Pavel Derevyanko) com sua amiga Anya (Aglaya Tarasova), não apenas vai embora — ela envenena ambos.

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É uma jogada intransigente que imediatamente define o tom: estamos em um mundo onde os sentimentos são testados ao limite, e o preço do erro é a vida. Infelizmente, após esse golpe inicial, o filme de Evgeny Grigoriev perde o ímpeto. O conflito não escala, mas se repete: a heroína força os culpados a 'provar' seu amor através de uma série de tarefas repetitivas. 

Cada teste seguinte apenas repete o anterior, substituindo o desenvolvimento da trama por uma 'corrida na roda' psicológica. A tensão, que deveria aumentar em um thriller, aqui rapidamente se esvai, transformando o filme em uma observação de uma discussão familiar prolongada, onde as apostas claramente não justificam a duração.

Atuação de Snigir: uma ilha de sinceridade em um mar de estaticidade

Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'
Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'

A única que impede 'Alguém Tem que Morrer' de um colapso dramatúrgico total é Yulia Snigir. Sua heroína não é vítima nem monstro, mas uma condutora cansada, sarcástica e intransigente deste experimento cruel: executar não pode perdoar.

A heroína de Snigir sustenta a trama, tornando-a emocionalmente tangível e intimista. Pavel Derevyanko e Aglaya Tarasova merecem elogios, mas seus personagens são mais funcionais: são alvos para os testes, não figuras independentes. É a habilidade de Snigir que permite perceber o filme como uma observação viva de um jogo moral, e não apenas um conjunto de cenas repetitivas. A câmera e a atuação compensam a fraqueza do roteiro.

Um thriller que teve medo de ser um thriller

Filme Alguém Tem que Morrer
Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'

É aqui que reside a principal dualidade do filme. Grigoriev é anunciado como autor de um thriller psicológico, mas na verdade ele dirige um drama intimista com elementos de um quebra-cabeça moral (só falta adicionar 'alegria', 'raiva' e 'tristeza').

O estilo visual — realista, pé no chão, quase documental — é um ponto forte. Ele cria a sensação de que a catástrofe pode acontecer em qualquer casa. Mas é justamente essa intimidade que se torna uma armadilha (para Grigoriev).

Não há metáforas visuais, não há jogo com o espaço, não há aumento da trilha sonora (obrigado a Bulanova, claro) — apenas planos estáticos nos rostos, onde as emoções devem falar por si mesmas. E elas, como já foi dito, dizem a mesma coisa. O filme não ousa se tornar um verdadeiro thriller (com tensão, ameaça, reviravoltas inesperadas), mas também não se torna um drama profundo. Ele fica preso em um híbrido malsucedido, onde diálogos melodramáticos substituem o movimento da trama.

Um final que não deixa rastro

Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'
Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'

O final do filme é lógico do ponto de vista do 'jogo de sobrevivência' proposto: a heroína que estabeleceu as condições as aceita para si mesma. O auto-sacrifício no final não é catarse, mas uma constatação de fato. E aqui surge a pergunta mais dolorosa: para que tudo isso serviu?

O filme aborda o tema da traição como trauma, mas não oferece uma reflexão sobre ele — apenas uma reação extrema e sem sentido. Ele promete explorar o que resta do amor após a traição, mas reduz a resposta a uma fórmula simples: 'se você causou dor, você deve pagar'.

Nenhuma complexidade moral, nenhum subtexto social, nem mesmo uma verdadeira profundidade psicológica. O silêncio na sala após os créditos é a melhor crítica para este filme: ele mostra que o cinema não encontrou eco, não deixou uma pergunta, não provocou debate. Ele simplesmente terminou.

Conclusão

Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'
Cena do filme 'Alguém Tem que Morrer'

'Alguém Tem que Morrer' é um caso raro em que o filme se torna vítima de sua própria ideia. Ele começa como um experimento psicológico ousado, mas não encontra forças para desenvolvê-lo. Em vez disso, ele se fecha em um ciclo de situações repetitivas, onde a câmera captura a estaticidade e os atores (exceto Snigir) não têm chance de ir além de papéis funcionais. O filme quer falar sobre amor e traição, mas fala sobre isso na linguagem do melodrama, não do thriller. O resultado: uma ideia forte, desperdiçada, e um silêncio na sala que soa mais alto do que qualquer tiro final.