Mais uma semana, e mais uma série que você não pediu, e que provavelmente ignorou (e perdeu). Embora eu mesmo quase tenha ignorado – tenho uma relação muito fria com filmes e séries cujos títulos parecem pseudônimos de rappers do SoundCloud – Young, Lil e assim por diante. Ainda mais que o jovem Sherlock, em sua época, nem Steven Spielberg conseguiu levar adiante, que por algum motivo decidiu transformar a história de amadurecimento do futuro mestre da dedução em um horror gótico temperado com misticismo egípcio.

Embora Guy Ritchie, nesse aspecto, tenha um crédito de confiança um pouco maior que Spielberg – afinal, ele fez filmes dos "Holmes" bastante decentes, e sabe lidar com formatos televisivos de forma cuidadosa e sem excesso de pompa. Vamos assistir? Bem, pelo menos tentamos.

Tudo começa com uma animada briga de socos na cadeia ao som de Smoove & Turrell. A câmera dança como em um bom rave, a edição trabalha mais rápido que o bom senso, os golpes acertam exatamente na batida. Parece que não vai ser chato.

Um dos participantes da briga é o próprio jovem Sr. Holmes, que, por tédio, realizava pesquisas de campo na área de furtos de bolso; exclusivamente para fins científicos, é claro. O irmão Mycroft tira Sherlock da prisão e o envia para Oxford – não como estudante, mas, digamos, como gerente de infraestrutura doméstica. Em outras palavras, no linguajar do zelador da universidade, os banheiros não se limpam sozinhos.

No papel de empregado, Sherlock vagueia livremente pelos prédios de Oxford, assiste a palestras e até discute com os professores. Em uma das palestras, ele conhece um estudante que pensa mais rápido e sorri de forma mais fria. E seu nome é James Moriarty.

Isso nem é spoiler: a exposição é tão rápida que se encaixa em uns vinte minutos. Mas então acontece algo surpreendente – a série começa a lembrar não tanto o "Holmes" de Ritchie, mas sim seus "Agentes da U.N.C.L.E.". Ou seja, na tela temos uma bromance exemplar sobre dois homens elegantemente vestidos com queixos expressivos, que trocam farpas elegantes, provocam os aristocratas locais e roubam bebidas alcoólicas de elite de suas festas. Em algum momento, eles se veem no centro de eventos que seria melhor evitar.

Aqui, "Jovem Sherlock" atira no próprio pé, porque a premissa criminal rapidamente se desenrola em uma trama sobre sociedades secretas e conspirações internacionais. Intrigas conspiratórias amplas já se encaixam mal com detetives clássicos (lembre-se de "O Quarteto" de Agatha Christie – aliás, não, esqueça), e histórias de formação de um personagem como Holmes são totalmente contraindicadas. Desvendar uma jogada política de múltiplas etapas em escala continental, e depois se dedicar à rotina criminal vitoriana comum? Uma trajetória de desenvolvimento impressionante.

No segundo pé, a série atira com a pistola que sobrou de "Sherlock" com Cumberbatch. Muito drama familiar complicado. Ok, Mycroft é cânone. Mas aqui tem mãe, pai e... bem, isso já é spoiler.

Mas Holmes e Moriarty, de alguma forma, carregam essa estrutura manca nos ombros. Sim, é bobagem. Mas é uma bobagem viva, divertida e muito charmosa. Ainda mais com uma trilha sonora despreocupada que vai desde o autêntico irlandês até o psicodrama francês dos anos 60 e pós-punk.

Então, eu gostei dessa balbúrdia aventureira, estou esperando a segunda temporada. Preciso descobrir como nosso par de espertinhos se tornará inimigos mortais. E se Ritchie decidir que não, será ainda mais interessante.

#assisti_a_série