Frequentemente vejo manchetes de notícias - "Empresa A apresentou prejuízo de 40 bilhões", "Startup captou 100 bilhões" e nos comentários todos pensam que A vai falir amanhã, enquanto a startup vai conquistar o mundo.
Tudo o que você precisa saber sobre comunicados de imprensa e demonstrações financeiras divulgadas é que elas são apresentadas conforme a empresa precisa, ou não refletem a realidade e ninguém se preocupa.

Três exemplos:

1. Harvey Weinstein tinha um bônus anual baseado em percentual do lucro, e a empresa era controlada pela Disney, que tem muito dinheiro e pode amortizar grandes prejuízos. Então o que Weinstein fazia para receber bônus maiores? O filme era rodado normalmente, e depois, com o filme pronto, faziam uma avaliação: mostravam para um grupo focal, realizavam exibições prévias e, se percebiam que o filme era bom, não o lançavam imediatamente, mas esperavam acumular de 5 a 10 filmes de sucesso e os lançavam todos no mesmo ano; no outro ano, lançavam todos os filmes fracassados. Assim, no ano ruim, Harvey recebia apenas o salário; no ano bom, recebia enormes percentuais do lucro. Se tudo fosse distribuído uniformemente, a empresa se mostraria altamente deficitária, o que a Disney percebeu 10 anos depois e fechou a Miramax. Mas nos anos bons, os comunicados de imprensa eram enviados, as manchetes gritavam como a empresa estava indo bem e como Harvey era um gênio. Isso era vantajoso para ele, e a campanha de relações públicas era feita sob seu comando. E nós acreditamos.

2. Atlassian - empresa que desenvolve software corporativo para gerenciamento de projetos (Trello, Jira, Confluence). Eles tiveram prejuízo por 9 anos, não pouco, mas fortemente, de 200 a 400 milhões. E os investidores estão dispostos a tolerar perdas por tanto tempo? Não, é simples - eles têm modelo de assinatura, ou seja, é paga anualmente, mas o valor pode ser cancelado; durante todo o período de assinatura, não pode ser registrado como receita, e quando pode, já foi todo gasto. Portanto, no papel, a empresa é deficitária, mas na prática, cobre todas as suas despesas e ainda compra concorrentes. Por que eles não querem reorganizar as demonstrações financeiras para serem lucrativos? Não está claro.

3. Aqui sem nomes específicos, mas podemos ver que as estrelas do Vale do Silício criam cursos educacionais e os vendem, não diretamente, mas através de plataformas. Eles recebem, provavelmente, pela criação do curso e percentuais. Isso parece algumas dezenas de milhares de dólares. Mas por que o fundador de uma startup com investimentos e avaliação gigantescos precisaria de dinheiro tão pequeno? Simples - as grandes rodadas são para a mídia; na realidade, ele tem ações ou opções, mas sem dinheiro, e os pagamentos ainda levarão anos, então precisa viver de algo.

Portanto, não olhe para os outros; os números que todos divulgam geralmente são como os de um mágico - são o que distrai, não de onde a moeda aparece.