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A parábola sobre o pecado humano do documentarista Vladimir Golovnev ficou hipnótica. No filme “Cinga”, o diretor mostrou a formação do homem do norte — a iniciação — temperando-a com contexto sociopolítico.

Em 26 de fevereiro de 2026, estreou nos cinemas a estreia ficcional de Vladimir Golovnev, “Cinga”. O filme mostra o caminho espiritual do noviço Fiódor, interpretado por Nikita Efremov, em meio ao golpe de agosto de 1991 e à conversão dos aborígenes nenets ao cristianismo. Sobre o tempo e a dominação do orgulho — a seguir na resenha.

Domando o orgulho

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Cena do filme “Cinga”

O ambicioso noviço Fiódor e o mentor Piotr (Dmitri Podnozov) atracam no acampamento e começam a convencer os nenets da importância de aceitar a nova fé. O entusiasmo idealista não encontra eco — os habitantes do norte se preocupam com problemas puramente práticos. Seus valores são a conexão com a natureza, e suas preocupações, a sobrevivência e o sustento. Fiódor deixa a demagogia de lado e estabelece um vínculo estreito com a família, começando pelo menino.

Essa etapa se torna o ponto de partida da tentação do futuro monge. Junto com os sermões e as brincadeiras com o menino habilidoso e confiante nas discussões, Fiódor tem sonhos nos quais copula com um demônio na forma da esposa do pastor de renas (Evgenia Mangadzhieva). Os sonhos que turvam a consciência e o escorbuto progressivo tornam o caminho espiritual do protagonista tenso e convincente.

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Cena do filme “Cinga”

As ações de Fiódor são contraditórias do ponto de vista dos nenets, mas lógicas do ponto de vista dos cristãos. Quando o noviço dá a palavra de que ajudará a preservar a criação de renas e a segurança da família, ele alimenta um lobo ferido (o herói anda com um breviário). Como resultado, Fiódor cumpre a promessa. O respeito por outra cultura e a bondade para com os animais tornam-se a base para a aceitação do cristianismo pelos nenets.

Segundo as crenças do norte, o escorbuto chega às vítimas na forma de um súcubo, que o leva embora se ela não resistir.

O golpe e Tchaikovsky

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Foto dos bastidores do filme “Cinga”

No rádio, que se torna o único meio de comunicação com o mundo exterior, toca “O Lago dos Cisnes” e chegam trechos da reportagem de Moscou: “Esta manhã, tanques e veículos blindados apareceram nas ruas de Moscou”, “Os barris foram usados para construir barricadas”. A simplicidade e o colorido do filme o aproximam do thriller “O Verão Acaba” de Vladimir Mankuev.

Portanto, não se deve buscar um significado profundo na alusão ao golpe de agosto. Vladimir Golovnev mais uma vez enfatiza o cenário do norte e destaca o colorido do grupo étnico nenets. O diretor desvaloriza a vida externa em comparação com o mundo isolado de crenças e exalta a identidade cultural do pequeno povo.