
O segredo do quadrado de Malevich revelado - é uma faixa preta, vista de frente.
Uma pessoa próxima a mim ficou muito desanimada devido a uma série de fracassos. Tudo o que ele faz, ou não dá certo, ou não se paga. Há anos ele luta "como um peixe contra o gelo"...
E ele não é burro... E não é preguiçoso... E não é medroso para tentar coisas novas... E nem é alcoólatra ou contador de histórias. Tem mãos e cabeça.
Mas infelizmente - a flor de pedra não sai, por mais que ele se esforce. E o tempo passa, as dívidas e os preços aumentam, as necessidades também não param - devido ao estresse prolongado, elas se deslocam para a farmácia, e o desejo de comprar prazer se transforma em desejo de reduzir a dor, o medo e as dúvidas.
Ultimamente, ele tem falado cada vez mais sobre conseguir um emprego por turnos em algum lugar (construir metrô, norte, mar), mas lá também não é tão simples - eu sei, trabalhei 12 anos além do Círculo Polar Ártico e vi como as pessoas são lá. Metade do dinheiro vai para a bebida, para não enlouquecer.
Outra opção de renda que ele vê (por enquanto como plano B) é - SVO.
"E daí, parece que pagam bem lá" - ele me diz com um sorriso, disfarçando cuidadosamente um leve desespero e a esperança de que eu o dissuada. Eu o dissuado com exemplos - chamo a atenção para o número de pessoas que não voltaram inteiras com as próprias pernas e o número daquelas que são trazidas pelo serviço de entrega... não é hora de brincadeiras.
"Ok, mas o que fazer então! Quem vai sustentar a família e como?" - ele pergunta com irritação e atacando o mundo.
E o que posso dizer a ele, além das palavras cínicas "tudo vai ficar bem, você vai conseguir"? Eu preciso ter certeza disso antes de dizer. Estou gerando nele a esperança de que ele vai conseguir amanhã, apesar de não ter conseguido ontem...
"E se eu não conseguir? Já não sei o que fazer... Está fora do meu orçamento até sair de casa. Que diferença faz no final como eu vou desaparecer - vou me embebedar e degenerar por desamparo aprendido ou me tornar um herói de guerra por um minuto...?" - ele pensa em voz alta, na esperança de ouvir suas próprias palavras e se horrorizar. E que esses devaneios o animem, lhe deem forças para aguentar até a chance que ele certamente não perderá.
"Segura firme, alma fraterna. Não dê passos bruscos... Ainda precisamos de você vivo e inteiro. Ainda chegará a sua hora..." - digo baixinho, com pausas, tentando não deixar transparecer o nó na garganta...
P.S.
Eu sei que você está lendo este post. Não se importe com o pequeno número de reações. Apenas saiba que você não está sozinho. Muitos passam por dificuldades, mas no final e sempre - após a hora mais escura - chega o amanhecer. E nossa tarefa é esperar por esse momento.
Abraço
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