Na Ásia, está ganhando força uma tendência curiosa: "ciber-necromancia" para funcionários demitidos. A ideia é: você pega o histórico de mensagens em chats de trabalho, documentação, código e tickets de um sênior demitido, alimenta um LLM e obtém uma "skill". Agora você tem um bot que escreve código nos padrões do Vasya, responde com seu tom passivo-agressivo característico e sabe onde estão as gambiarras no projeto.
A gerência está encantada. Eles chamam isso de "preservação do conhecimento institucional". Na prática, significa que exigem que você descreva cada passo, a lógica de decisão e os esquemas de contorno de bugs no Confluence com o máximo de detalhes. Assim que sua experiência é destilada em texto, você se torna um saco de couro muito caro que pede plano de saúde e férias. Você pode ser otimizado.
Claro, para cada ação, inventam uma reação. Foi criado o projeto anti-distill (sobre essa ferramenta já brincam no X). Na prática, é um script para sabotar a "extração cerebral". Ele pega sua documentação honesta e detalhada e remove tudo que o torna um especialista único, substituindo por uma linguagem corporativa correta.
Como fica na prática:
❌ Sua experiência real (o que a ferramenta esconde):
Sempre coloque TTL nas chaves do Redis, senão o OOM-killer vem e derruba a produção, como aconteceu na Black Friday. Não coloque requisições HTTP para o billing dentro de transações, elas falham por timeout de 3 segundos.
✅ Versão filtrada (o que vai para a gerência):
O uso de cache deve seguir estritamente os regulamentos da equipe. Ao projetar limites transacionais, é necessário considerar padrões arquiteturais de tolerância a falhas.
A resposta perfeita. RH e gerência marcam a caixinha: "documentação escrita, conhecimento transferido". A rede neural é treinada em padrões "corretos" com os quais é impossível trabalhar em produção. E sua expertise real — intuição, conhecimento dos limites do banco específico, compreensão da arquitetura não dita — permanece com você.
A automação é inevitável, mas da próxima vez que pedirem para formalizar detalhadamente toda sua expertise para uma "base de conhecimento interna", pergunte-se: você está escrevendo documentação para colegas ou montando um dataset para sua própria substituição? Ninguém vai pagar pelo que você entrega de graça.
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