Foi apresentado à Duma Estatal o projeto de lei nº 1192006-8. Atualmente está em fase de análise preliminar, as formulações ainda podem mudar, mas a lógica em si já está clara. E ela é muito mais ampla do que apenas mudanças no uso de caixas registradoras (ККТ).
Não se trata de caixa registradora. Trata-se de como o negócio será visto pelo sistema tributário.


🔄 Como funciona atualmente e o que muda

Atualmente o modelo é assim: o dinheiro passa separadamente, o recibo é gerado separadamente, e a Receita Federal compara os dados posteriormente.
Será diferente: pagamento, recibo e informações fiscais são unificados em uma única cadeia.

A lacuna entre pagamento e recibo praticamente desaparece.

🏦 Os bancos se tornam parte do controle fiscal

Pelo projeto, os bancos passam a transmitir à Receita Federal informações sobre operações não em dinheiro, incluindo identificadores e, em alguns casos, o CNPJ/CPF dos participantes das transações.

Isso significa uma coisa simples: a Receita vê não apenas o recibo, mas também o próprio fato da movimentação de dinheiro. O controle começa não com o recibo, mas com o pagamento. Se antes era possível receber um pagamento e não emitir recibo, agora essa lacuna se torna tecnicamente perceptível imediatamente.

🧾 O recibo não é mais para o cliente

Se a informação sobre a transação foi transmitida e confirmada, o recibo pode não ser emitido imediatamente. O direito do cliente de recebê-lo é mantido. Mas a essência é outra: o recibo se torna um elemento do sistema de controle, não uma ferramenta de interação com o cliente. Ele é necessário para o sistema, não apenas para o comprador.

⚠️ Onde surge o principal risco para os negócios

Antes os erros eram assim: esqueceram de emitir recibo, receita não batia, pagamento foi alocado incorretamente. E muitas vezes isso era descoberto depois.
Agora: o erro é registrado no momento da operação. O pagamento existe, o recibo existe ou não, e o sistema compara automaticamente.
O risco se desloca da fiscalização para o trabalho operacional diário.


🚫 Registro de infratores de ККТ

É criado um registro de empresas e empreendedores individuais com infrações sistemáticas. O importante não é a existência do registro em si, mas as consequências:
• restrições à publicação de informações na internet;
• impacto nas vendas online;
• riscos para aluguel e trabalho com plataformas.


Além disso, isso cria um fator reputacional que pode afetar a interação com bancos, parceiros e contrapartes.

🔗 O controle vai além da Receita Federal

Parte do controle é transferida para o mercado. Os organizadores de comércio são obrigados a verificar a existência de ККТ nos locatários e reagir a infrações. Na prática, as empresas começam a fiscalizar umas às outras, pois os riscos se espalham por toda a cadeia de interação.

Na prática, o controle deixa de se limitar à Receita Federal e passa para o nível da infraestrutura, afetando aluguel, plataformas e relações comerciais.

🔍 O que é importante verificar agora

Mesmo na fase de projeto de lei, isso já é uma área de atenção. Vale a pena verificar:
• se há lacunas entre pagamento e recibo em todos os canais;
• se a ККТ funciona corretamente para pagamentos não em dinheiro (adquirência, SBP);
• se há operações que ficam fora do sistema geral;
• como está estruturada a lógica para diferentes pessoas jurídicas e pontos de venda.


E a principal questão: como o seu modelo de negócios é visto pelo sistema tributário, e não internamente.

📌 Conclusão principal

O foco se desloca do controle para a arquitetura do sistema, na qual cada operação se torna parte de uma lógica geral e é comparada com os dados da Receita Federal. No trabalho com negócios, é aqui que surge o principal risco: não na fiscalização, mas nas ações diárias. Qualquer inconsistência é registrada imediatamente. E a questão agora não é sobre relatórios, mas sobre o quanto a lógica do negócio suporta essa transparência.