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A Rússia pré-mongol é um dos períodos históricos mais difíceis para uma adaptação fiel e, ao mesmo tempo, o maior desafio para um diretor ambicioso. Será que David Tkebuchava conseguiu domar as guerras internas em grande escala dos príncipes da Rússi...

A campanha publicitária da série «Príncipe André» evocava involuntariamente nostalgia por projetos bem-sucedidos semelhantes: houve a série «Sofia» — benefício de Evgeny Tsyganov no papel de autocrata, e a série «Godunov», que recebeu uma boa dose de críticas (e, para ser honesto, merecidamente). Em algum lugar na periferia, surgiram filmes de ação quase históricos como «Cidade Má», «Viking» e «Coração de Parma», cujas bilheterias deram esperança aos criadores de filmes históricos — o tema é rico, o público anseia por novas tramas.

Problemática

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Cena da série «Príncipe André»

Em entrevista a Sergei Stillavin, o diretor de «Príncipe André», David Tkebuchava, contou como conversou com o patriarca Kirill sobre a santidade do príncipe russo André. Quando perguntou por que nos tempos de Pedro ele foi canonizado, o patriarca respondeu simplesmente: «Se o povo não o venerasse, isso nunca teria acontecido». Guerreiro, ditador, filho do cruel e obstinado fundador de Moscou — apesar dessas características, ele conquistou o amor popular. Por que isso aconteceu é o que o diretor tenta descobrir, investigando a misteriosa personalidade de Andrei Yurievich.

Quem interpretou o príncipe André

Na interpretação de Alexander Golubev, o príncipe saiu monolítico: imponente, calmo, sábio além da idade, em contraste com o pai (interpretado por Alexander Baluev, o principal responsável por figuras paternas no cinema russo contemporâneo) — até excessivamente equilibrado. Por causa disso, o crescimento do personagem do primeiro ao último episódio não é tão evidente, e em alguns lugares é francamente confuso; as decisões políticas complexas tomadas por André são igualmente tristes para ele aos 18 e aos 50 anos. A luta interna entre grandes tarefas estatais e misericórdia aparece apenas ocasionalmente em cenas de oração (a cena final da série nos aposentos do príncipe é muito boa nesse aspecto). Muitos críticos notaram que Alexander Ustyugov, que interpretou o (in)fiel guerreiro de André, teria sido muito mais orgânico no papel do grão-príncipe — dizem que sua figura tem muito mais carisma e majestade. O contraste óbvio entre os atores involuntariamente faz pensar: talvez o diretor não tenha escolhido Golubev por acaso, com sua majestosa indiferença e rica atuação interna.

De qualquer forma, o elenco principal brilhante não ajuda a resolver a principal tarefa narrativa: responder à pergunta de como era um príncipe russo específico e por que ele realizava ações históricas específicas. A regulação de disputas principescas, a resistência constante à pressão dos boiardos, as intermináveis campanhas militares — essa é a textura que era vital para a série criar uma imagem coesa do mundo em que André e sua família existiam. Muitos dirão: mas ela está lá, e falam sobre as campanhas, e os boiardos intrigam; só que tudo é como se não fosse com força total, em pinceladas largas, como se não fosse o mais importante.

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Cena da série «Príncipe André»

E o que é, então, o mais importante? Parece que, por causa dessa dispersão narrativa, o clímax da história também não se torna crível: bem, quem acreditaria na traição de Ambal? O cinema mundial dificilmente viu uma motivação tão insossa para um personagem. Esses sérios defeitos de roteiro anulam a impressão das óbvias virtudes da série — a linha de André e Ulita (Aglaya Shilovskaya), o confronto familiar entre André e Yuri, a chegada de mestres bizantinos para a construção de igrejas ortodoxas.

Tentativa de reconstrução histórica

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Cena da série «Príncipe André»

A propósito, sobre a construção. A joia do projeto são os cenários. Além da Igreja da Intercessão no Nerl — símbolo central do poder na série, a reconstrução parcial dos aposentos do príncipe André em Bogoliubovo ficou digna. Aparentemente, ao criar o modelo do edifício, basearam-se na maquete do historiador de arquitetura Sergei Zagrayevsky. Sem exagero, a aparição dos aposentos na série é um marco importante na visualização da arquitetura autêntica da Rússia pré-mongol do século XII. No entanto, as construções uniformes das cidades específicas desapontaram — ao mover os personagens, o código visual dos principados não é percebido, é óbvio que os mesmos cenários são usados para representar diferentes locais. Em comparação com os aposentos em Bogoliubovo, essa abordagem parece bastante monótona; o visual também não é ajudado pelo fato de que as filmagens no pátio/aposentos principescos são frequentemente feitas dos mesmos ângulos, privando o espectador da oportunidade de explorar o espaço construído (ou não).

Conclusão

No final, apesar dos fracassos narrativos, o espaço visual da série, sua carga semântico-metafórica, ainda vencem; cada episódio é percebido como uma tentativa digna de reconstrução artística, muitos personagens evocam simpatia e despertam em nós um sentimento de participação (apesar do abismo temporal de nove séculos). Projetos históricos muito mais badalados, aos quais «Príncipe André» conseguiu dar uma vantagem, não podiam se gabar disso. E quem realmente é o grão-príncipe de Kiev, Vladimir e Suzdal — cabe a você decidir após assistir à série.