E tudo bem!
(parte 1)
Estou me testando em longreads.
Resolvi começar com a HubSpot.
HubSpot é uma grande plataforma CRM/CDP com 275 mil clientes em 135 países.
A história de como sua lógica de "pelo que cobramos dos clientes" se transformou, na minha opinião, é um ótimo exemplo de que mudar a arquitetura de precificação de um produto é possível e necessário.
Portanto, tentarei reconstruir a cadeia principal de eventos para entender por que e para que a HubSpot gastou tempo e esforço analisando e ajustando suas métricas de preço.
Acho que será útil
(se você ler com atenção)
Ponto zero: quando a grama era mais verde
No final de 2010, a HubSpot já existia há 4 anos. Tinha 4 rodadas de investimento totalizando $33 milhões, crescimento ativo e preparação para novas injeções da Google Ventures e Salesforce.
Mas surgiu um probleminha...
Seu segmento principal (pequenas empresas) estava consistentemente caindo. O indicador Net Revenue Retention (NRR) em 2010 caiu para 70-75%. Isso é muito, muito ruim.
Com esses números, para apenas "ficar parado" (não cair na receita), você precisa atrair um grande número de novos clientes a cada ano. O CAC vai para o espaço, nenhum orçamento de marketing aguenta um "balde furado" desses no funil.
Todos entendiam que isso provavelmente não ajudaria nas negociações com investidores. E eles mesmos queriam romper o teto atual de receita. Então começaram a investigar.
Primeiro, foram aos segmentos.
Descobriram que a maioria dos clientes eram micro-equipes (2 vendedores). E para essas equipes fazerem pelo menos 1-2 envios simples por mês para sua base de clientes, precisavam pagar por 2 módulos de uma vez (vendas + marketing).
Tudo bem, mas o detalhe é que em cada módulo havia, por padrão, no mínimo 5 usuários disponíveis.
Ou seja, basicamente 2 vendedores, além de si mesmos, pagavam por mais 8 pessoas que na verdade não existiam (leia-se: pagavam pelo ar).
E precisavam pagar $1000-$1500 / mês.
Além disso, cada novo passo em cada módulo significava mais 5 usuários.
Tem 6 vendedores? Parabéns! Pague por 10!
Não é surpresa que esses pequenos, assim que encontravam alternativas, iam para os concorrentes.
E os um pouco maiores (4-5 pessoas) se esforçavam ao máximo para ficar no pacote mínimo e usar apenas 1 módulo.
A conclusão era óbvia: a métrica de preço "pagamento por módulo" precisava ser mudada.
Primeira virada: a era do pagamento por contatos
Analisando os segmentos, a HubSpot notou outra coisa interessante: quanto mais seus clientes inseriam contatos no sistema, mais eles se apegavam à HubSpot e menor a probabilidade de migrarem para outras soluções.
E em 2011, a HubSpot faz um movimento de mestre: muda sua métrica de preço, passando a cobrar pelo número de contatos na base.
A ideia é simples: se o número de contatos na base cresce, significa que o cliente está crescendo, e junto com ele, os pagamentos à HubSpot também crescerão.
Lógico. Justo. Claro.
E funcionou!
A festa de fim de ano de 2014, a equipe da HubSpot comemorou com estes resultados:
+ 49% de crescimento de receita ano a ano
+ 35% de crescimento da base de clientes
+15% de crescimento em upsells
NRR se aproximou de 100%
IPO foi exemplarmente bem-sucedido
O mais importante: a política de preços da empresa se tornou atraente para médias empresas. E isso significa bases de tamanho completamente diferente em número de contatos. E novos horizontes para o crescimento da receita da HubSpot.
Foi tempo de beber champanhe... todos os dias.
Mas, como sempre, o sucesso criou um novo problema.
(continua...)
O que achou do formato?
#métricas_de_preço
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