Quando, em chamadas, as pessoas me contam que:
— a maior dificuldade foi trabalhar com o nutricionista, porque ele criticava constantemente e depois rompeu o contrato
— o trabalho com o treinador deu resultado, mas depois de cada treino ela chorava, porque ele a pressionava, e ter que enviar toda a comida com precisão de gramas era humilhante
meu coração sangra e dá vontade de dar uma boa bofetada no profissional.
Acho que alguns profissionais confundem trabalho com cliente e disciplina com adestramento. Só que as pessoas, p***, não são poodles.
Por um lado, entendo essa lógica.
Precisa de resultado? Eu tenho: aqui está o déficit calórico, o plano alimentar e vamos nessa. Difícil? Mas comer, provavelmente, foi fácil. Manipulação podre com vergonha, não podia faltar.
Para garantir, pode chamar o cliente de bolinho preguiçoso ou bolinho de massa, para ele não relaxar. Já vi isso também.
Por outro lado, assim que o "supervisor" desaparecer, a pessoa vai ter uma recaída tão grande que vai ser feio. Porque a ensinaram a obedecer, a se criticar, e não a viver e manter o peso.
Quando você é criticado ou envergonhado por comer um croissant, isso é estresse. O cérebro fica em pânico, o córtex pré-frontal, responsável pela lógica, desliga. A pessoa fisicamente não consegue tomar uma "decisão sábia". Ela vai descontar na comida como uma forma rápida de se acalmar.
Se a pessoa é repetidamente punida por erros, ela para de tentar. Desenvolve-se a desamparança aprendida e a crença "tem algo errado comigo, nada vai me ajudar".
Isso mata a autoeficácia — a crença de que suas ações influenciam algo.
Pode-se argumentar que quando um médico trata, ele não se importa se o paciente gosta do tratamento ou não. E não vai convencer.
Mas a lógica é torta.
O médico pode receitar um antibiótico, e ele vai funcionar, mesmo que o paciente não goste. Na nutrição e emagrecimento não funciona assim: o resultado só aparece através das decisões diárias da própria pessoa.
Como ela pode tomar decisões ponderadas se está constantemente estressada? Que tipo de decisões, p***, um bolinho de massa pode tomar?
É mais fácil exigir "pesar tudo ao grama" do que entender: por que essa pessoa específica tem medo de enviar o cardápio? O que é — medo de avaliação, vergonha paralisante ou ela está simplesmente cansada?
E não, não estou dizendo que é preciso trabalhar no estilo "coitadinha, come mais um biscoito"
Estou dizendo que o sistema deve ser funcional, não queimar a cuca da pessoa e não humilhá-la.
Sem dúvida, é preciso envolvimento e ação por parte do cliente. Mas ações não por medo de ser repreendido, mas por compreensão. Quando você entende o que, por que e como está fazendo.
E em vez de um supervisor com chicote e adestramento, você precisa de um sistema que leve em conta sua agenda, ocupação, preferências alimentares e outros contextos da vida.
É essa abordagem, e não o adestramento, a vergonha e a humilhação, que trará resultados sustentáveis.
E vocês, o que acham? Já enfrentaram uma abordagem rígida? Ela foi eficaz para vocês?
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