
Das areias de Arrakis ao talk show noturno – fizemos para você uma lista dos 10 melhores filmes do primeiro semestre de 2024.
Em 2024, muitos sucessos de festivais chegaram ao circuito russo, a Pixar mostrou que ainda tem algo a oferecer ao público, e Godzilla deu um duplo golpe nas emoções dos espectadores.
A redação do 'Após os Créditos' assistiu a mais de 50 filmes lançados nos cinemas ou online de janeiro a junho e, por votação geral, escolheu os 10 melhores filmes do primeiro semestre de 2024. O vencedor, aparentemente, é óbvio. Ou não? Descubra lendo o artigo até o fim.

10º lugar – 'Salas Vermelhas'
A modelo sombria Kelly-Ann passa o tempo na dark web, conduzindo sua própria investigação sobre o assassinato monstruoso de três estudantes, que foram torturadas e desmembradas ao vivo (na 'sala vermelha'). Enquanto Kelly-Ann busca a verdade online, no mundo offline, o principal suspeito é julgado — um homem triste com olhar vazio.
O filme de Pascal Plante — . Por um lado, é um meticuloso thriller judicial; por outro, uma investigação sobre o amor ao true crime e suas consequências. Simultaneamente, um drama sobre a solidão (online e offline) e um emocionante thriller de detetive. E Kelly-Ann busca, como os heróis dos melhores detetives, encontrar tudo de uma vez: a si mesma, o maníaco, a verdade.
Chegou aos cinemas 'Salas Vermelhas', um thriller canadense sobre a dark web e um grande sucesso em círculos restritos de cinéfilos. Sobre por que este filme sobre maníacos, suas fãs e pôquer online justifica
Open materialNa visão do diretor Plante, hoje tudo isso só se encontra na dark web, a sala secreta do mundo moderno. Lá não há Estado com sua censura, não há estranhos (eles não penetram nessas profundezas), mas, paradoxalmente, também não há os seus (tudo é anônimo). E, claro, seguindo os preceitos do principal mestre de Plante, Dario Argento, esta sala secreta é vermelha-sangue.

9º lugar – 'Godzilla Minus One'
Um dos filmes mais espetaculares e agradavelmente surpreendentes do primeiro semestre de 2024. Enquanto Godzilla e Kong entretinham o público paralelamente no universo de plástico do MonsterVerse, o diretor de 'Godzilla Minus One', Takashi Yamazaki, seguiu na direção oposta, mais sombria. Para onde tudo realmente começou, onde não há lugar para pathos de entretenimento. Para que lembremos, como se diz.
Um olhar sério e profundo sobre as consequências do bombardeio nuclear do Japão, uma mensagem humanista, efeitos raros mas incrivelmente espetaculares (pelos quais a equipe do filme merecidamente recebeu o Oscar técnico), referências ao filme clássico de 1954 e, inesperadamente, em uma cena muito boa, a Steven Spielberg.
'Godzilla Minus One' é uma história sobre como, mesmo nos tempos mais sombrios, o ser humano ainda precisa de outro ser humano para, antes de tudo, vencer o monstro dentro de si, e só depois lidar com o de fora. Em suma, um trabalho poderoso na intersecção do cinema autoral e de gênero, que se tornará, com razão, um novo clássico.

8º lugar – 'Divertida Mente 2'
Esperamos 9 anos por isso, e não foi em vão. A sequência do aclamado sucesso da Pixar explora novamente o mundo infinito na cabeça da menina Riley, mostrando as mudanças que o período da puberdade traz ao fundo emocional.
Se você foi cativado pela história da interação das emoções 'básicas' e sua influência no caráter da criança, prepare-se para se render ao poder que fará perceber que cada um de nós foi e ainda é o herói de uma história que se desenrola na tela através de imagens vívidas, piadas bem elaboradas e conclusões ponderadas.
Diante do espectador não está apenas um conjunto de emoções (novas e antigas), mas reflexões sobre princípios e qualidades pessoais que formam a autoconsciência. Um coquetel bastante esclarecedor para aqueles que estão em busca de si mesmos, ou para aqueles que esqueceram como percorreram o caminho espinhoso de entender que 'eu' sou uma personalidade multifacetada, com direito a diferentes emoções.
— uma conversa sincera e difícil sobre o amadurecimento que, apesar de todo o peso emocional, não se esquece da infantilidade e do colorido. E não deixe o logotipo da Disney nos créditos iniciais te assustar: os esforços para demonstrar inclusividade empalidecem diante de uma trama coesa e da ideia central.
Chegou aos cinemas mundiais um dos filmes de animação mais aguardados do ano — 'Divertida Mente 2' do lendário estúdio Pixar. O quão interessante é acompanhar o espectro expandido de emoções de Riley e
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7º lugar – 'Quimera'
A melodia de Alice Rohrwacher, ao explorar o tema da morte e da vida após a morte, romantiza este mundo místico do passado, morto, mas que deixou para trás muita beleza. O primeiro e mais óbvio símbolo de 'Quimera' é a carta do baralho de Tarô 'O Enforcado', que inspirou o pôster (dá uma primeira impressão do protagonista). A trama gira em torno de um ofício místico e pouco representado — a pilhagem de tumbas na Itália. O Virgílio insinuante do filme, a diretora de fotografia Hélène Louvart, concentra-se na estética, permitindo que os símbolos se integrem firmemente à estrutura da trama e criem a visão semi-surrealista necessária.
Devido à especificidade do ofício e à tragédia do protagonista — Arthur (interpretado de forma brilhante pelo badalado Josh O'Connor deste ano), resultou em algo romântico em todos os sentidos, o que o torna digno de entrar no top 10. A idealização e sacralização do passado se manifestam aqui não apenas nas inúmeras referências aos mitos antigos, mas também nas dolorosas experiências do herói, que reflete sobre a perda de um ente querido. O mundo dos mortos representa um ideal esteticamente belo e inatingível.
Em 1º de janeiro de 2024, junto com potenciais sucessos de bilheteria como 'Kholop 2' e 'Os Músicos de Bremen', chega aos cinemas russos um filme pequeno, quase imperceptível, do programa
Open materialAlice Rohrwacher fez uma das tragédias mais ternas do ano, com uma linha de amor comovente e ao mesmo tempo triste, intangível. 'Quimera' é um filme que encanta o espectador ao explorar a serenidade e a beleza do mundo sobrenatural sob uma luz antiga.

6º lugar – 'The Iron Claw'
Este não é apenas , mas também uma das melhores cinebiografias dos últimos anos, que transmite alma, e não uma enumeração seca de eventos, com excelente fotografia, estilização e elenco impecável — provavelmente, por nenhum filme na temporada de premiações passada eu senti tanta pena quanto por esta bela, comovente e trágica história.
Em ampla distribuição, o filme de Sean Durkin 'The Iron Claw', um candidato a prêmios sobre o wrestling dos anos 80, onde o pai pode tudo, menos ser pai.
Open materialSomos mergulhados de cabeça em uma montanha-russa de destruição emocional e física dos filhos de Fritz von Erich, que os submete a provações desumanas, ignorando seus sonhos e desejos, tratando-os não como seus filhos, e nem mesmo como pessoas — ele os vê como uma espécie de cavalos de raça ou cães de briga de raça pura. Sem ver, e como se não notasse, nem o bem nem o mal, exceto seus próprios ideais, enquanto a dor de seus entes queridos não diminui, e os funerais se sucedem um após o outro.
Apertados pelos padrões patriarcais, os irmãos von Erich encontravam a maior força e recompensas não nos campeonatos, mas nos raros momentos de união entre si, felizes e tristes, razão pela qual as cenas finais não podem deixar de partir o coração.
Lera Denisova

5º lugar – 'Pobres Criaturas'
O filme mais popular de Yorgos Lanthimos, que ofuscou na última temporada de premiações 'Barbie' de Greta Gerwig. 'Pobres Criaturas' ainda herda as tradições do estilo do diretor, no entanto, se o absurdo e a extravagância podiam afastar o público de seus filmes anteriores, neste tudo parece orgânico. Paisagens e interiores coloridos, mangas bufantes enormes, gansos-cachorros peculiares, juntamente com a trilha sonora mágica e subestimada de Jerskin Fendrix, criam um mundo completamente especial da era vitoriana.
Bella Baxter, montada a partir de dois corpos e reanimada por eletricidade, como o bom e velho Frankenstein, reflete completamente essa loucura, nem que seja pela sua própria existência. No entanto, há algo mais nela que talvez alguns não tenham conseguido enxergar por trás das camadas de nudez, crueldade e excentricidade. Um papel verdadeiramente grandioso de Emma Stone.

4º lugar – 'Queda do Império'
Como falar sobre a guerra sem mostrar soldados valentes no calor da batalha? Alex Garland em 'Queda do Império' coloca a resposta em um road movie. Seus protagonistas são repórteres que viajam de Nova York a Washington para entrevistar o presidente que está prestes a perder a guerra civil.
Ainda é possível ver nos cinemas o ocaso da civilização ocidental pelos olhos de um dos diretores independentes mais da moda da atualidade, Alex Garland. Sobre por que 'Queda do Império' é um curioso
Open materialO autor de 'Aniquilação' e 'Ex Machina' não se aprofunda nas causas do conflito, não mostra como tudo começou, quem está certo, quem está errado. Ele observa tudo com um olhar neutro, o olhar de um jornalista que é um observador externo, não um participante dos eventos. Ele permite que o espectador tire suas próprias conclusões. Como após a leitura de um artigo de qualidade, no qual o repórter assume uma posição estritamente neutra e atua como retransmissor dos eventos, e não como seu crítico.
Em sua jornada, os heróis encontrarão fanáticos; pessoas que apenas tentam sobreviver; e até mesmo uma cidade inteira cujos habitantes fingem que as ações militares não os afetam. Mas em cada pessoa que encontram, invariavelmente se vê a marca da guerra, assim como nos próprios heróis. Eles querem parecer céticos imparciais, mas a cada cena, a cada reviravolta, o espectador vê como as desgraças das pessoas capturadas pela câmera se fixam profundamente na memória e, em seguida, nas almas dos jornalistas. A deformação profissional afeta tanto jovens quanto velhos.
A guerra muda as pessoas, Garland não é o primeiro a dizer isso. Mas mesmo apesar do caminho sangrento percorrido, só você decide quem você será no final.

3º lugar – 'Late Night with the Devil'
David Dastmalchian — um ator cujo currículo consiste em papéis em filmes de Christopher Nolan, Denis Villeneuve, bem como em projetos dos universos cinematográficos DC e Marvel. É ainda mais surpreendente que 'Late Night with the Devil' seja o primeiro filme em que lhe foi confiado o papel central da história, o que, esperamos, tenha quebrado sua maldição pessoal de ser apenas um coadjuvante. A estreia na direção dos irmãos Cairnes pode ser justamente considerada, até agora, .
O formato de talk show noturno não é popular na Rússia: o único grande exemplo foi 'Vecherniy Urgant', cujo destino atualmente é incerto. 'Late Night with the Devil' é mais
Open materialUm filme de terror paródico, estilizado como um 'late night show' americano dos anos 70, dificilmente pode ser chamado de espetáculo assustador, mas é impossível negar seus méritos inegáveis, que incluem uma atmosfera verdadeiramente sinistra e homenagens organicamente incorporadas. É mais uma experiência única para o espectador, tão fiel em sua imitação do espírito da época que, inadvertidamente, pode-se acreditar na realidade da história da gravação perdida de um programa de Halloween, diretamente dos turbulentos anos setenta americanos.

2º lugar – 'Vidas Passadas'
Ainda no início de 2023, quando foi exibido na competição do Festival de Cinema de Berlim, os críticos, como costuma acontecer, começaram a dizer que 'veríamos este filme no Oscar', que a estreante Celine Song iria longe, e que o novo projeto da A24 se tornaria um evento de escala quase planetária. No final, foi o que aconteceu — e o drama intimista sobre o amor (não) realizado não só chegou às indicações ao Oscar, mas também aos cinemas russos, e agora está quase no topo do nosso ranking.
Em 29 de fevereiro, chega aos cinemas russos a melodia 'Vidas Passadas', que marcou a estreia na direção de Celine Song e já recebeu duas indicações ao Oscar nas categorias de 'Melhor Filme' e
Open materialA história é muito simples: o menino Hae Sung e a menina Na Young crescem em Seul e vivem o primeiro amor — recíproco e verdadeiro. Depois, a família de Na Young se muda inesperadamente para a América, então as crianças ficam em lados opostos do oceano, perdem-se por muitos anos e só na idade adulta se reencontram nas redes sociais: conhecem-se novamente e tentam entender se sentem algo uma pela outra e, se sim, o que fazer com isso. Um drama silencioso sobre a felicidade perdida, interpretado por três atores maravilhosos — Greta Lee, Teo Yoo e John Magaro (este último interpreta um judeu americano, o jovem marido de Na Young) — e que impressiona em todos os sentidos pela sua precisão. A direção é a personificação do que chamamos de 'jogo de meios-tons'; e é surpreendente como Celine Song, até o último quadro, evita habilmente tanto a padronização quanto — o que é ainda mais valioso — a previsibilidade.
O resultado é um cinema que prefere a confusão dos heróis hesitantes ao dramatismo habitual. Uma história que parece evitar conscientemente a univocidade e se transforma em uma única experiência melancólica, onde a felicidade e a infelicidade acabam desaparecendo como categorias. Em vez delas, cada um de nós tem simplesmente suas próprias vidas: uma real e várias passadas.

1º lugar – 'Duna: Parte Dois'
A marcha triunfal continua! O filme de Denis Villeneuve não apenas liderou o topo do nosso ranking, tornando-se o melhor do semestre, mas também abriu uma nova era para as franquias de ficção científica (e poderia ter errado feio com a segunda parte). A escala e ambição de 'Duna' são comparáveis aos lendários 'O Senhor dos Anéis' e 'Star Wars', e seu potencial é capaz de cativar o público por anos.
Em todo o mundo (até onde não deveria) ecoa, sem exagero, o filme mais aguardado do ano — 'Duna: Parte Dois'. Denis Villeneuve traz o público de volta a Arrakis e novamente por quase 3 horas
Open materialAinda vamos admirar as paisagens de Arrakis e Timothée Chalamet por muito tempo. Não podemos deixar de notar todo o elenco brilhante, que após a segunda parte conquistou ainda mais aplausos. E a franquia revela cada vez mais novos talentos.
Talvez o segredo do sucesso de 'Duna' resida na sinergia de todos os seus elementos. Design de som hipnotizante, efeitos visuais impressionantes, figurinos luxuosos, trilhas sonoras encantadoras que adicionamos às nossas playlists, personagens carismáticos, lore profundamente elaborado, intrigas políticas e religiosas, reflexões filosóficas — tudo isso se funde em uma única sinfonia de areia, regida por um dos melhores diretores da atualidade. Não é à toa que a crítica estrangeira apelidou o filme com a palavra concisa, mas abrangente, 'obra-prima'. 'Duna' se tornou um fenômeno, e isso não se pode negar.
E qual filme você mais gostou no primeiro semestre de 2024?
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