
No terceiro episódio – ousado e cativante – um veneno é descoberto no coração da Nova República, uma nave gigante lembra o anel da onipotência, todos querem se tornar jedi. Sobre tudo isso – em nossa recapitulação.
Recaps anteriores:
Atenção: a seguir, spoilers do 3º episódio da série 'Ahsoka'
Ahsoka (Rosario Dawson) e Sabine (Natasha Liu Bordizzo) voaram, como costuma acontecer com os heróis de 'Star Wars', em direção a aventuras, e a jedi, para passar a noite, decidiu treinar sua padawan. Sabine não se lembra muito bem das lições antigas e, no geral, está aprendendo esgrima novamente. Vendo a irritação da mandaloriana, Ahsoka sugere que Huyang (David Tennant) lhe dê um treino na técnica 'Zatoichi'.

No geral, não é segredo para ninguém que os criadores de 'Star Wars' assistiram muitos filmes japoneses antigos, mas até agora apenas George Lucas havia admitido isso tão abertamente. Sob a técnica 'Zatoichi', os heróis entendem o treino às cegas – Sabine, sem ver Ahsoka, deve refletir seus golpes. Além de apreciarmos a honestidade dos autores em relação aos direitos autorais, esta é também uma cena interessante e uma bela homenagem.
Um pouco de história: antes das filmagens de 'Uma Nova Esperança', Lucas reassistiu muitas vezes aos seus filmes favoritos de Kurosawa, em particular a grande obra 'Os Três Canalhas Escondidos na Fortaleza', de onde emprestou uma série de conflitos narrativos e soluções visuais. Homenagens a 'Os Sete Samurais' podem ser encontradas no desenho animado de Dave Filoni e na primeira temporada de 'O Mandaloriano'. A própria série sobre um mercenário viajando com uma criança cita, em termos de enredo, o oitavo filme da franquia 'Zatoichi' – um massagista cego desajeitado que na verdade domina perfeitamente a lâmina. A esses filmes também remetem a grande cena de 'Uma Nova Esperança' (treino às cegas) e a linha narrativa de um dos heróis de 'Rebels'.

Enquanto isso, Hera Syndulla (Mary Elizabeth Winstead), para ajudar Ahsoka, entra em contato com a liderança da Nova República – representantes do Senado Galáctico e sua chanceler, a senadora Mon Mothma. Com esta última, Hera conversa como uma velha amiga dos tempos da Aliança Rebelde, mas nem todos no topo burocrático são tão benevolentes com a general de combate. Em particular, o senador Xiono, um homem arrogante (e, como se depreende da conversa com Hera, que se juntou à Nova República apenas quando ela venceu), convence os colegas a não enviar a frota para o Olho de Sion.
A senadora Mon Mothma apareceu pela primeira vez em 'Uma Nova Esperança' como líder dos rebeldes. Depois, essa personagem secundária apareceu tanto em episódios numerados da epopeia (por exemplo, em cenas deletadas de 'A Vingança dos Sith', ela e Padmé estavam, no geral, montando um conselho de coordenação da oposição), quanto em séries animadas – de 'Rebels' a 'The Clone Wars' – até que finalmente Mon Mothma se tornou uma das personagens principais (e a mais moralmente simpática) de 'Andor'.

Desapontada com os resultados da reunião, Hera encontra seu filho Jacen (seu filho com Kanan Jarrus de 'Rebels'. Por que o filho deles se chama como se fosse estrelar um remake de 'Sexta-Feira 13' é uma pergunta sem resposta). Ele ouviu que Sabine queria se tornar uma jedi e expressou o desejo de se tornar um também. Hera responde que ele certamente se tornará e sorri. Isso não é esclarecido de forma alguma, mas o pai de Jacen era um jedi e professor de Ezra, então para Hera, esse desejo do filho é um momento ao mesmo tempo alegre e triste.
Ahsoka e Sabine, enquanto isso, discutem os caminhos dos jedi e o fato de que a mandaloriana, não tendo sensibilidade à Força, não pode, no geral, segui-los. Ahsoka afirma que a Força está em todos e, neste momento, lembra Qui-Gon Jinn. E a principal questão que realmente se coloca diante das heroínas: o que significa ser um jedi? Para que ser um jedi em uma era em que a ordem foi exterminada e suas tradições são preservadas apenas por alguns poucos renegados?

Huyang confirma mais uma vez a incomum visão de Ahsoka, apontando que, claro, não se ensina jedi assim, e então faz uma de suas melhores observações: que a própria Ahsoka é uma continuadora da linhagem de jedi nada comuns – exceções, escolhidos, traidores, heróis, pessoas quebradas. Anakin Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Qui-Gon, Conde Dookan, Mestre Yoda.
Quando as conversas interessantes se esgotam, os heróis saem do hiperespaço e descobrem o Olho de Sion – uma nave gigante em forma de anel, na qual Baylan e Morgan Elsbeth planejam dar um salto para outra galáxia. Explorando a nave, as heroínas se aproximam demais, e uma pequena esquadrilha de caças é enviada atrás delas.

Com Ahsoka no comando (e em algum momento na asa do ônibus com sabres de luz!) e Sabine na torre, o número de naves inimigas diminui não tão rapidamente, mas de forma realmente espetacular, até que resta apenas Shin – a aluna de Baylan com olhos loucos, que está pronta para perseguir as heroínas até o fim. Elas escapam por pouco para o planeta mais próximo, fugindo da perseguição seguindo os preceitos de Han Solo no filme 'O Império Contra-Ataca' (e novamente encontrando baleias espaciais gigantes, que já vimos em 'Rebels' e 'O Mandaloriano'). No final, os caçadores (também de 'O Mandaloriano') de Baylan e Morgan Elsbeth são enviados atrás delas.
Impressões
Steph Green dirigiu mais um episódio excelente, embora muito curto, no qual citam clássicos ('Zatoichi'!), atiram muito e refletem.
Curiosamente, na série sobre uma das últimas representantes da ordem jedi, não há uma saudade particular da ordem – afinal, uma nova vida e novos heróis, e a ordem não era uma organização ideal – mas há uma melancolia especial. Pela juventude, pelo passado, pela rebelião (em Hera).

O lado visual do show também contribui para o tom melancólico. Tudo é feito nas cores da heroína titular: prata fosco, branco, laranja suave. A galáxia muito, muito distante parece estilosa e ligeiramente triste, de modo que, por exemplo, Hera Syndulla parece uma mancha particularmente alegre. Então, mais uma vez, notamos como a atriz Winstead é boa.
Uma alegria à parte do episódio: rever Genevieve O'Reilly no papel de Mon Mothma. A heroína favorita (desde 'Andor') daqueles que preferem a tristeza silenciosa e a integridade a uma boa briga.
Ao mesmo tempo, politicamente, o episódio continua motivos importantes para os novos 'Star Wars': as razões para a queda da Nova República estavam nela mesma (aquele senador desagradável Xiono); a rebelião não fez todos felizes; o ressentimento na galáxia muito, muito distante está mais próximo do que parece.
Em suma, vamos observar.
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