
Mandalorianos contra imperiais, mandalorianos contra godzilla, mandalorianos contra si mesmos. Sobre velhas mágoas e sobre qual é, afinal, o caminho – na nossa recapitulação do penúltimo episódio da terceira temporada de 'O Mandaloriano'.
O sétimo episódio é excepcional. Os mandalorianos voltam para casa em busca de uma nova esperança, mas encontram uma ameaça oculta. Onde prometeram o retorno de um Jedi, o Império contra-atacou. 'O Mandaloriano' se aproxima do final em sua melhor forma, e é um 'Star Wars' que se pode assistir para sempre.
Recapitulações anteriores:
Atenção: a seguir, spoilers do 7º episódio de 'O Mandaloriano'
Elia (Katy M. O'Brian) caminha pelas ruas iluminadas por néon de Coruscant ('Blade Runner' em estado puro) para informar algo ao Moff Gideon (Giancarlo Esposito). Como esperado, sua reabilitação e trabalho nos órgãos internos da Nova República são uma continuação do serviço ao Império, só que de piloto ela se tornou espiã. Gideon está insatisfeito, pois está com pressa para algum lugar, mas a informação, diz Elia, é importante demais para hesitar: os piratas foram expulsos de Nevarro, não pelas forças da Nova República, mas com a ajuda dos mandalorianos, agora liderados por Bo-Katan. Gideon percebe que a unificação dos clãs mandalorianos está no horizonte, o que aparentemente pode atrapalhar seus planos.

Na cena seguinte, após uma passagem ao estilo Darth Vader por um longo corredor, transportado para 'O Mandaloriano' diretamente de 'A Ameaça Fantasma', passando pelos resultados de experimentos de clonagem fracassados (onde ele está? que corredor é esse?), seus planos são um pouco revelados. Acontece que o Império não foi destruído, mas se escondeu nas sombras, e ex-oficiais de alta patente estão tramando um plano para retomar o poder em suas próprias mãos (ou de outros – provavelmente estão clonando Palpatine).
Moff Gideon, Capitão Hux (pai de Hux das sequências! Interpretado por Brian Gleeson, irmão de Domhnall), alguns outros rostos vagamente familiares, um homem careca que lembra Göring – em uma reunião secreta, eles dividem poder e recursos, criticam uns aos outros, discutem o misterioso projeto 'Necromante'. Gideon conta que os mandalorianos estão se unindo e pede mais stormtroopers e três guardas pretorianos (a guarda pessoal em armadura vermelha de 'Os Últimos Jedi') para combater essa ameaça. Eles são concedidos a ele.

Enquanto isso, a frota mandaloriana, recuperada por Bo-Katan (Katee Sackhoff), aparece sobre Nevarro. A própria Bo-Katan está um pouco em pânico, pois não sabe como será o encontro entre mercenários e fanáticos. Eles realmente se encaram de forma ameaçadora, mas a tensão é quebrada pela Armorer, convidando os mandalorianos a montar acampamento e festejar juntos à noite. Greef Karga (Carl Weathers) chama Din de lado, presenteia o velho amigo com conhaque de Coruscant e o convida para a cidade.
Na cidade, no escritório de Karga, o mecânico anzelan do primeiro episódio mostra a Din e Grogu sua invenção: IG-11, transformado de droide assassino em (é estranho escrever isso, claro) um exoesqueleto para o pequeno, IG-12. Din sente corretamente que é uma má ideia, mas Karga está cheio de entusiasmo, coloca Grogu naquela coisa, e a alegria do pequeno não tem limites.

Ele aprende rapidamente a controlar seu droide (algo entre 'Homem de Ferro' e 'Círculo de Fogo') e fica especialmente feliz por poder, movendo uma alavanca, dizer duas palavras: 'sim' e 'não'. Agora que o pequeno pode falar (de forma sucinta, claro, mas o mandaloriano também não é um grande orador), ele não é mais apenas uma criança fofa, mas também bastante inquieto e, no geral, divertido de uma nova maneira.
Já à noite, Bo-Katan faz um pequeno discurso na assembleia geral: Mandalore não está envenenado, mas ainda é perigoso pousar no planeta: não há comunicação na atmosfera, e quais criaturas despertaram após o bombardeio é um mistério. Para explorar o planeta e encontrar a capital, a portadora do Sabre Negro precisa de um grupo de voluntários.

Deve-se dizer que ninguém se apressou em se voluntariar. O primeiro a se levantar foi Din (e Grogu!), seguido pelos amigos de Bo-Katan das Corujas Noturnas e o monumental Paz Vizsla, mais alguns guerreiros e a Armorer. A formação do grupo lembra a grande cena do filme 'Spartacus' de Kubrick, e é uma referência querida, embora seja popular nos últimos anos.
Na cena seguinte, a frota mandaloriana já está posicionada na órbita do planeta, e o grupo pousou em Mandalore. Deixando a nave, os batedores, em formação irregular, partiram em busca da Grande Forja, mas encontraram outra coisa. Algum tempo depois, Din avistou um transporte (um navio terrestre à vela) se movendo em sua direção. Após um diálogo com os estranhos sobre comida, eles voaram para fora do navio com seus jatos (são mandalorianos!) e reconheceram a senhora que falava como Bo-Katan Kryze. Quando um desses homens diz: 'Nossos blasters estão a seu serviço, senhora', Bo-Katan fica feliz e triste ao mesmo tempo.

Já no banquete, esses mandalorianos – abatidos, exaustos, mas surpreendentemente resistentes – contam que, quando o Império bombardeou o planeta e não deixou ninguém sair, eles não fugiram de Mandalore, mas também não conseguiram protegê-lo. No entanto, esperavam que Bo-Katan (então governante) não os abandonasse, que a luta continuasse.
Bo-Katan, por sua vez, é forçada a informá-los de que a luta terminou há muito tempo, os mandalorianos se renderam ou se esconderam (como o clã de Din). Quando a derrota era inevitável, ela mesma se rendeu. E entregou o Sabre Negro a Gideon em troca da promessa de não bombardear o planeta e não destruir seu povo. Gideon, naturalmente, não cumpriu sua palavra, e a admissão não é fácil para a mulher.

À noite, Bo-Katan olha para o céu e não entende por que ele, no geral, ainda não caiu: seu povo está dividido, os mandalorianos estão amargurados, desapontados, confusos; tudo o que ela tem para uni-los é o Sabre Negro, um grande, mas não onipotente, atributo de poder. Ela é – previsível e inesperadamente ao mesmo tempo – encorajada por Din. Mesmo dentro de 'Star Wars', o mandaloriano não é o personagem mais falante, e, portanto, sua tirada – de que ele segue Bo-Katan não por ela possuir a espada, mas por quem ela é, que tipo de pessoa ela é – acaba sendo estranhamente doce e, no geral, maravilhosa.
De manhã, a Armorer leva os mandalorianos encontrados que não podem lutar para a nave, e o grupo continua sua jornada para a grande forja, a capital do planeta. No caminho, ocorre uma briga entre Axe Woves e Paz Vizsla, que discordaram sobre as regras do jogo de xadrez espacial. Quem separa esses amantes agressivos da violência é o pequeno Yoda no traje IG-12. Din recusa a admiração de Bo-Katan – não foi ele quem ensinou o pequeno a ter esse pacifismo prático (na verdade, provavelmente foi Luke quem ensinou, mas, considerando que o próprio Din também queria intervir, ele está sendo um pouco modesto).

Quando os heróis se aproximam do objetivo, algo como um Godzilla (ou um dinossauro, como preferir) desperta, destrói a nave dos mandalorianos e os faz se dispersar. Alguns morrem, mas uma parte significativa do grupo consegue entrar na Forja – ou melhor, no que resta dela.
O choque com o que aconteceu com seu planeta é interrompido pela chegada de stormtroopers imperiais, e ainda por cima revestidos de beskar. Na batalha que se segue, os mandalorianos levam a melhor e perseguem o inimigo, mas isso acaba sendo, é claro, uma armadilha. Din cai na armadilha, separado de seus companheiros por uma porta que se fecha inesperadamente (exatamente como Qui-Gon Jinn em 'A Ameaça Fantasma').

Bo-Katan bate na porta, e Moff Gideon se aproxima de Din em uma armadura preta – obviamente parodiando a mandaloriana. Din é levado, aparentemente para tortura; bombardeiros e caças decolam para destruir a frota mandaloriana, e Gideon, explodindo em um monólogo presunçoso, exige a devolução do Sabre Negro e a rendição. Bo-Katan se recusa e corre para abrir um caminho para a retirada (a espada é a laser), enquanto Paz Vizsla e outros assumem o fogo inimigo.
Gideon foge imediatamente, os mandalorianos recuam rapidamente, mas quando chega a vez de Vizsla, ele fecha a porta atrás de si e diz a Bo-Katan para ir. Há muitos stormtroopers, e se ele não os distrair, os outros não conseguirão escapar. Com o coração pesado, Bo-Katan corre atrás dos outros, enquanto Paz Vizsla, com as palavras 'este é o caminho', enfrenta sua última batalha.

Ele consegue, mesmo depois que sua metralhadora superaquece, atrair as forças inimigas para si e até mesmo esmagá-las. Quando ele, com as mãos nuas, acaba com os stormtroopers restantes, parece até que há esperança, mas os guardas pretorianos aparecem, e Vizsla morre em uma luta desigual. A câmera se afasta. Este é, provavelmente, o caminho.
Impressões
A recapitulação não é um obituário, claro, mas Vizsla morreu nas melhores tradições de Boromir e daquele minotauro que segurou o portão por tanto tempo em 'Príncipe Caspian', e ainda assim de forma completamente única. Em 'Star Wars' sempre houve muitas mortes heroicas, mas o auto-sacrifício de Paz Vizsla, um herói que surpreendeu, irritou, alegrou, mas no final salvou a todos, não se perde nem mesmo nesse contexto. Será, com certeza, sentido sua falta.
O segundo grande momento do episódio é o discurso de Din. Seja porque ele fala raramente e pouco; seja porque ele disse aquilo com tanta sinceridade, mas quando ele assegurou a Bo-Katan que a 'serve' não por causa da espada, origem ou status, mas por causa da honra, lealdade e caráter que vê nela – qualidades que ele tanto valoriza – é simplesmente comovente. E muito bem interpretado – tanto seu discurso quanto a gratidão em seus olhos.

Um certo mistério, já adicionado a um episódio triste e grandioso, é acrescentado pelo título. O episódio se chama 'Espiões' (Spies), mas apenas um espião foi mostrado – Elia Kane em Coruscant. Isso sugere que o segundo espião é alguém entre os mandalorianos, mas quem?
Din? Duvidoso. Bo-Katan? De jeito nenhum. A Armorer? Muitos concordam com esta, pois ela partiu muito oportunamente. E ainda assim, é uma jogada estranha. Axe Woves? Provável, embora pareça óbvio. Aqueles mandalorianos encontrados no planeta? Quem sabe. Vale lembrar que Gideon foi retirado da prisão por alguém com uma nave estelar (e provavelmente – algum mandaloriano), então a Armorer pode ser excluída, já que sua tribo não tem naves espaciais. Parece interessante apostar na amiga de Bo-Katan das Corujas Noturnas: um personagem importante o suficiente para ser lembrado, e sem importância o suficiente para duvidar de sua motivação. Apostamos nela com cautela, embora provavelmente haja alguma surpresa.

Vamos nos abster de reflexões especiais até o episódio final – o sétimo episódio foi excepcional, triste, pomposo, fez lembrar os 'Star Wars' originais: desesperança e fé estão misturadas aqui nas mesmas proporções, os heróis se tornam vilões com a mesma facilidade, os problemas de uma galáxia muito, muito distante são tão facilmente levados a sério.
As previsões para o final são simples. O final da primeira temporada foi triste, o da segunda foi triste ao extremo e, parece, na terceira as coisas não vão melhorar. Pelo menos, nada indica isso. Alguns dizem que Bo-Katan morrerá ou que a memória de Din será apagada, mas não quero acreditar nisso. O capacete de Pedro Pascal provavelmente será removido, mas isso é para melhor. No mais – suspense, estamos esperando!
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