
Piratas espaciais, procedimentos aquáticos, mandalorianos contra um jacaré gigante – tudo isso no recap do novo episódio da série 'O Mandaloriano'.
Dois anos e meio depois, 'O Mandaloriano' voltou às telas. O primeiro episódio da nova temporada dificilmente pode ser chamado de chocante, mas faz o que deve – dá ao mandaloriano novas preocupações e nos promete novas alegrias.
Atenção: a seguir, spoilers do 1º episódio da 3ª temporada da série 'O Mandaloriano'
A ferreira mandaloriana derrete beskar, faz um pequeno capacete e, ao que parece, uma xícara. Sai acompanhada de colegas para o ar fresco – de uma caverna espaçosa para uma pequena praia escondida, onde esperam os outros membros do clã (que são surpreendentemente muitos) e um menino de cabelos escuros, no qual, aliás, podemos suspeitar ser Din Djarin na juventude – tamanha a sensação de flashback. O menino, parado na água, parece se preparar para um batismo, mas começa a repetir em estilo romano, seguindo a Ferreiro (ela também líder do clã), o texto de um antigo juramento.
No momento mais inoportuno, um jacaré gigante emerge da água – uma mistura de Godzilla e a criatura aquática na entrada de Moria em 'O Senhor dos Anéis'. Já é tarde para não perturbar a água, e os mandalorianos, sem muita surpresa, começam, como se diz, a atirar. Uma luta um pouco arrastada, mas animada (granadas, metralhadoras, Ferreiro com martelinho!) contra o monstro não vai totalmente a favor dos mandalorianos, mas então chega Din Djarin (afinal, não era flashback, e nós esperávamos!) e metralha o jacaré com os canhões laser de sua nave. Mais uma vez, as batalhas em 'Star Wars' provam a necessidade estratégica da aviação, mas no geral, estamos felizes.

Din Djarin, ao que parece, não veio à toa e não veio sozinho, mas com Grogu (quem perdeu: em 'O Livro de Boba Fett', Pedro Pascal se reuniu com o pequeno, em grande parte devido à incompetência pedagógica do jovem Skywalker). O objetivo da visita do mandaloriano é descobrir como ele pode expiar sua culpa perante o clã por ter tirado o capacete voluntariamente na presença de alguém (veja os episódios 7 e 8 da 2ª temporada).
A Ferreiro diz que ele deve tomar um banho no lago sagrado sob as minas sagradas no planeta Mandalore, mas isso é impossível, pois o planeta Mandalore está envenenado, as minas destruídas, não há esperança. Djarin mostra a ela uma pedra com inscrições em cristal e diz que há esperança, então ele fará tudo e voltará para a tribo (a Ferreiro, pelo tom de voz, está feliz). A cadeia lógica talvez não seja a mais óbvia, mas a missão do herói para os próximos episódios está clara: chegar a Mandalore e se banhar no lago subterrâneo.
No quadro seguinte, o mandaloriano dorme no hiperespaço, e Grogu olha ao redor e nota baleias espaciais gigantes nadando ao lado. Já as vimos em 'Rebels', e como o destino do Jedi desaparecido Ezra Bridger está ligado a elas, provavelmente as encontraremos também na futura 'Ahsoka', mas Grogu vê essas criaturas pela primeira vez e passa de sua cabine para os braços do mandaloriano. Pedro Pascal abraça o pequeno, e lembramos por quais cenas assistimos a esta série.
Din chega ao planeta Nevarro, onde tudo começou, para descobrir que seu antigo romance de fronteira – bar, destruição, assassinos de aluguel armados até os dentes – foi substituído pelo aconchego e agitação de uma cidade comercial. O mandaloriano com o pequeno passa por uma rua movimentada – com comerciantes, droides cortando frutas, animais em árvores (neste análogo de um zoológico de contato, parentes do animal de estimação de Jabba, o Hutt) – e para em frente a uma estátua de IG-11 (o mesmo droide dublado por Taika Waititi que salvou a todos no final da primeira temporada, agora imortalizado em pedra).

Em direção a Djarin e Grogu vem o próprio alto magistrado de Nevarro, nosso velho conhecido Greef Karga (Carl Weathers, um pouco grisalho, mas o carisma como novo), que antes era chefe da guilda local de caçadores de recompensas. Sob sua sábia liderança, aparentemente, este buraco se transformou em uma próspera cidade na encruzilhada das rotas comerciais, e ainda independente da Nova República.
Karga fica feliz em ver o velho amigo e lhe faz duas propostas em dez minutos de tela. A primeira – se estabelecer, tornar-se um senhor feudal local e viver com a criança, guardando o blaster para sempre (caminho que o herói do mesmo Pascal na série vizinha 'The Last of Us') – eles não conseguem discutir, pois um droide secretário entra correndo e relata uma desordem.
Construção do comunismo, montes de neve, cowboys, ovelhas na lua – recapitulamos o sexto episódio de 'The Last of Us'.
Open materialSaindo para a rua, Karga e o mandaloriano encontram um bando de piratas (piratas espaciais!) que, por velhos hábitos, invadem a escola pensando que é um bar. Eles vieram cobrar do magistrado um imposto (pagamento por proteção, obviamente) para o rei pirata Gorian Shard. Greef Karga expressa respeito ao rei pirata, oferece aos bandidos discutir tudo em seu escritório, mas eles claramente estão a fim de uma boa briga e dizem ao magistrado que ele amoleceu, lembrando-o de seus pecados passados (na primeira temporada, Karga foi antagonista em um episódio). Mas não, o herói de Weathers está em ótima forma e desarma o líder do bando em um duelo curto, como em um faroeste clássico. Com seus comparsas, eles também lidam rapidamente com Din, e deixam o líder ir para que ele informe seu capitão sobre o ocorrido.

Diante do ocorrido, Karga faz ao mandaloriano uma segunda proposta: tornar-se o xerife da cidade. Como Cara Dune se juntou à Nova República (e Moff Gideon, levado por ela para lá, foi para o tribunal de crimes de guerra), o cargo está vago, mas a cidade precisa de um guardião da ordem – os piratas claramente não vieram à toa pela última vez, e no geral. Mas o herói de Pascal não veio para arrumar sua vida (embora a proposta seja tentadora, convenhamos), mas para encontrar um companheiro.
Acontece que, para sobreviver no ambiente tóxico de Mandalore destruído por bombardeios, Djarin precisa de um droide, mas, como lembramos, ele não gosta de droides, então decide ressuscitar o único de que gostava – IG-11. No entanto, as peças-chave do IG agora fazem parte de sua própria estátua. O monumento é desmontado, Din 'revive' o droide, mas seus protocolos estão desregulados – ele não é mais uma babá, como era no final da primeira temporada, mas um assassino, como era no início. Depois de lidar com o corpo agressivo do robô assassino (cena engraçada), os heróis carregam seus restos ainda mais danificados para os profissionais.
Os profissionais (representantes de uma raça conhecida de 'A Ascensão Skywalker') podem consertar o droide, mas precisam de um cartão de memória, e para este modelo eles não são mais fabricados. A missão é atualizada, e agora o mandaloriano deve encontrar uma peça rara em algum lugar. Ele deixa o planeta.

Enquanto ainda estão em órbita com o pequeno, Djarin o ensina navegação espacial, dizendo que não só o manejo de armas, mas também a capacidade de traçar uma rota na galáxia é uma das habilidades mais importantes de um mandaloriano. Um momento tocante de pai e filho é interrompido por piratas espaciais sedentos de vingança. Durante um belo duelo de naves, Din fica atrás dos piratas e os metralha (lembrando o confronto entre Jango Fett e Obi-Wan em 'Ataque dos Clones', onde Fett fez aproximadamente o mesmo truque), mas esbarra diretamente no cruzador do rei pirata Gorian Shard (que parece ter saído do porão de um maquiador de 'Piratas do Caribe'). Ele oferece ao mandaloriano que se renda, mas nosso herói diz ao pequeno: 'Nunca confie em piratas', e foge para o hiperespaço.
Din e Grogu chegam a uma das luas de Mandalore e pousam perto de um castelo impressionante, mas sombrio, cercado por água. O mandaloriano entra, em um salão do trono vazio, onde sob abóbadas de pedra e bandeiras outrora ameaçadoras está sentada Bo-Katan Kryze (Katee Sackhoff). Djarin oferece seus serviços na conquista de Mandalore, mas descobre que, depois que o Sabre Negro foi parar com ele e não com Bo-Katan, os vassalos a abandonaram e se espalharam pela galáxia, voltando à vida de assassinos e mercenários. A cruzada de Bo-Katan terminou antes mesmo de começar.

A aristocrata e fracassada governante do povo de Mandalore culpa pelo fracasso não apenas Djarin (embora o fato de ele possuir o Sabre Negro tenha complicado sua tarefa), mas seu clã – os Filhos da Vigia. Ela diz que tais clãs – extremistas radicais, fanáticos religiosos – já nos tempos de prosperidade de seu planeta natal dividiram seu povo, o que levou à queda de Mandalore (curiosamente, a própria Kryze foi membro de uma dessas seitas – a Vigia da Morte. Ela está falando também de sua própria culpa?). Seja como for, Djarin parece não pretender discutir. Depois de descobrir onde estão as minas e as águas sagradas, o mandaloriano vai embora, deixando a mulher sozinha.
Impressões
Embora seja apenas um prólogo e nada de substancial aconteça no episódio, ele estabelece algumas linhas obviamente chave para a temporada: as tentativas do mandaloriano de retornar ao clã; um enredo global potencial sobre o povo de Mandalore recuperando sua pátria e, possivelmente, o confronto de Djarin com os piratas. O enredo mais cativante, claro, é o segundo – a tragédia do povo, a compreensão do trauma histórico, Mandalore como um Israel espacial. Nesse contexto, é curioso o contraste: o próspero centro comercial de Nevarro e o castelo vazio da aristocracia hereditária na lua de Mandalore. O florescimento, por assim dizer, do terceiro estado e o declínio dos cavaleiros samurais. Não é 'Os Sete Samurais' (lá também o contraste principal é entre o declínio dos samurais e o futuro surgimento da aldeia), claro, mas também tem algo disso.
No entanto, o enredo com Djarin e seu exílio do clã por tirar o capacete também é bastante interessante. Esta história tem uma profundidade potencial séria – o desenvolvimento do herói ao longo das duas temporadas anteriores consistiu em seu afastamento da adesão fanática às tradições, na compreensão de que existem diferentes mandalorianos: Boba Fett, clone de seu pai, um homem sem clã, e Bo-Katan, mandaloriana de nascimento, líder de seu povo, mas que tira o capacete tranquilamente.

Djarin continuará sendo um seguidor de um culto bastante sectário ou trocará, por assim dizer, as Testemunhas de Jeová pelos católicos (e o conflito é mais ou menos o mesmo – entre seita e mainstream)? Seguirá as tradições ou buscará algo novo? Repensará sua vida? E ela precisa ser repensada? É claro que 'O Mandaloriano' não é um drama religioso, mas 'Star Wars' nem sempre tem medo de temas complexos (a formação do mal em 'A Vingança dos Sith', totalitarismo e ), e Favreau e companhia têm a chance de também mostrar coragem.
A primeira temporada de 'Andor' terminou. Assistimos atentamente a esta série amada pela crítica e não muito popular entre o público e contamos por que é um grande show e o melhor 'Star Wars' em anos.
Open materialDo ponto de vista de gênero, continua sendo um entretenimento maravilhoso: piratas espaciais, lenda da tela Carl Weathers, a voz de Pedro Pascal, as orelhas do pequeno Yoda, em suma, parte dos recaps será escrita com golpes de lágrimas nostálgicas no teclado.
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