
O quarto episódio de "Andor" foi lançado, e, como é tradição em quartos episódios, não aconteceu absolutamente nada. Recontamos o novo episódio e analisamos para onde a trama vai e por que "Andor" parece muito mais maduro do que a maioria dos filmes...
O novo episódio de "Andor" começa onde o anterior terminou — o protagonista, levemente ferido no braço, procura um kit de primeiros socorros, enquanto Luthen Rael (Skarsgård) dá instruções. O kit é encontrado, a nave está no hiperespaço e, sem muita demora, os heróis vão direto ao assunto — se você já viu pelo menos um filme de espionagem ("O Invasor" serve), já imagina o que vem a seguir: Rael começa a recrutar o relutante Andor, que tenta se esquivar sem muita convicção.
Em 21 de setembro, estreou "Andor", a nova série do universo Star Wars. Vamos analisar o que nos foi mostrado nos três episódios, que se combinam em um filme de uma hora e meia.
Open materialApós alguns minutos de bate-boca, um argumento convincente da geração mais velha sobre morrer por uma ideia e mais duzentos mil créditos (a moeda local), Cassian, sem ainda perceber, já se tornou um rebelde.
A nave dos heróis pousa no planeta Aldani, não muito sobrecarregado pela civilização (algo entre a Escócia e a Nova Zelândia). Lá, Luthen conversa com uma mulher passivo-agressiva e a convence a incluir Cassian na equipe montada para assaltar a guarnição imperial local.
A mulher se chama Vel (interpretada por Faye Marsay) e não está nada animada com essa reviravolta. Luthen grita com ela, ameaça cancelar a missão e, sob a pressão de seus argumentos, Vel cede e leva Cassian até o grupo.
A jornada leva um dia e uma noite. No acampamento, os heróis são recebidos por rebeldes nervosos, pouco profissionais e que não entendem como podem incluir uma pessoa nova em uma missão tão importante a apenas três dias do evento. Mas logo fica claro que mais um combatente não fará mal à equipe.

Apesar das discussões contínuas sobre sua presença no grupo, Cassian é posto a par da situação: Vel explica a essência da operação, e o tenente Gorn (um oficial imperial que ajuda os rebeldes) explica como pretendem sobreviver. Assaltar uma guarnição imperial é uma ideia ousada, e, apesar da escassez de armas, equipamentos especiais e veículos sucateados, os heróis pretendem sobreviver sob o fogo dos caças TIE.
O plano é que a sabotagem ocorra em um dia específico, quando, durante um feriado planetário, milhares de cristais estarão na órbita do planeta, formando uma barreira impenetrável. Os rebeldes esperam passar por ela e escapar dos imperiais. De olho nos duzentos mil dólares e movido por uma curiosidade saudável, Andor aceita e se torna o piloto da equipe.
Paralelamente, Luthen Rael chega a Coruscant e se transforma irreconhecível (uma peruca grisalha e roupas caras fazem milagres). Acontece que o misterioso líder (não está claro se é realmente o líder) dos futuros rebeldes é o proprietário ou gerente jovial de uma galeria de arte na capital. Quase imediatamente, a senadora Mon Mothma, mal disfarçando sua ansiedade, chega à sua galeria em busca de um presente para o marido. Mothma é interpretada por Genevieve O'Reilly, mas os fãs se lembram da personagem desde "Uma Nova Esperança" e da trilogia prequela — lá, a senadora era amiga e aliada de Padmé Amidala e Bail Organa.
Na verdade, seguindo as melhores tradições das conspirações políticas, ela veio para conversar com Rael sobre assuntos secretos. Ele discute em voz alta os méritos de lâminas de batalha específicas do planeta Utapau (o mesmo onde Kenobi derrotou o General Grievous), enquanto sussurra repreensões à sua já trêmula aliada por sua demora. Ela não pode lhe entregar o dinheiro necessário, obviamente para a rebelião, mas pede a oportunidade de envolver mais uma pessoa na conspiração. Rael parece conhecer a primeira regra do "Clube da Luta", mas, apesar de todas as dúvidas, concorda. Mon Mothma, por sua vez, conta que no Senado (o órgão máximo de governo da República e, consequentemente, do Império) a vigilância sobre os políticos aumentou, e ela não pode confiar nem mesmo em seu próprio motorista. Os conspiradores, insatisfeitos um com o outro, se separam, e a futura líder dos rebeldes voa para casa.

Enquanto isso, em Coruscant, também nos são mostrados os dias de trabalho dos agentes da inteligência imperial — homens em uniformes brancos se reúnem em uma sala branca ao redor de uma mesa branca. Tudo isso lembra um pouco Orwell, mas o que não lembra hoje em dia? Lá, conhecemos outra personagem aparentemente importante para a trama: a tenente dessa inteligência (provavelmente interna ou contra-inteligência, não está totalmente claro) Dedra Meero (Denise Gough), uma jovem um tanto agressiva, executiva e trabalhadora, que veio para a inteligência vinda dos órgãos de segurança interna e confia mais em seu instinto do que em fatos.
Ela está muito interessada em lidar com os problemas no setor de Morlana-One (onde os rebeldes e Andor atuam), não se sabe exatamente por quê. Seus colegas e o sensato chefe, o major Partagaz (o excelente Anton Lesser, o mesmo que foi o braço direito de Cersei em "Game of Thrones"), acham que ela é uma arrivista querendo se destacar, mas, na verdade, pode parecer que ela trabalha para os rebeldes e quer sabotar sua perseguição — mas isso, é claro, é uma teoria com o nível de credibilidade do canal REN TV.
Enquanto os agentes de inteligência lidam com suas desavenças, nos é mostrado como o oficial Karn, de quem Andor e Rael escaparam no episódio anterior, é repreendido, e o Império envia seu contingente para Morlana-One para presença permanente. O superior de Karn — aquele homem sensato que sugeriu não fazer nada no primeiro episódio — tenta se justificar perante um oficial imperial do mesmo serviço de inteligência, mas é rebaixado junto com ele. Karn volta para casa, para sua mãe, que lhe dá um tapa, mas no fundo está feliz em ver o filho.

No final do episódio, Mon Mothma finalmente volta para casa, onde seu marido e novas frustrações a esperam. O marido da senadora, um tanto leviano, organizou uma festa e convidou os oponentes políticos da esposa, com quem, segundo ele, é "divertido", insinuando que com ela não é.
Irritada com a estupidez do marido, a mulher se retira, concordando em participar do evento noturno, embora esteja ofendida. Apesar da banalidade e, no geral, obviedade desta cena, é quase o primeiro episódio desse tipo na história de "Star Wars", algo saído de "Cenas de um Casamento" de Bergman em uma galáxia muito, muito distante — eis a verdadeira revolução. Todo o resto, por enquanto, é um tanto monótono.
O quarto episódio continua a apresentar novos heróis e a desenvolver os antigos. Alguns são mais interessantes (Mon Mothma), outros lembram dolorosamente tudo o que já vimos antes (a tenente Meero, e também os rebeldes de Aldani), mas ainda assim é um espetáculo incomum, que lembra algumas distopias óbvias, "Hotel Nova Rosa" e um pouco do filme "Equilíbrio". No geral, continuamos andando na corda bamba.
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