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Assistimos ao filme «A Mulher na Janela» sobre ansiedade e isolamento e surpreendemo-nos por, apesar de todos os pontos positivos, ter ficado tão confuso.

No dia 14 de maio, a Netflix lançou o thriller de detetive «A Mulher na Janela» (The Woman in the Window) de Joe Wright, um realizador cujo currículo inclui muitos trabalhos de renome: «Desejo e Reparação», «Orgulho e Preconceito» e «Nó Cego», um dos episódios mais marcantes e memoráveis de «Black Mirror». 

«A Mulher na Janela» segue todos os cânones de Joe: aqui temos um elenco de estrelas como Amy Adams, Gary Oldman e Julianne Moore, uma protagonista feminina e o tema da saúde mental. Mas desta vez, o realizador presta homenagem a Hitchcock. Vamos perceber se ele conseguiu atingir o nível de maestria do rei dos thrillers e criar um suspense dramático.

Psicólogos, tratam?

A personagem principal, Anna Fox, é psicóloga infantil. Sofre de agorafobia, observa os novos moradores da casa vizinha pela janela, à noite repete em loop os clássicos de Hitchcock e abafa a angústia com uma garrafa de vinho. Na sua casa, aparecem ocasionalmente convidados: ora o psiquiatra pessoal aconselha a combater a doença com um guarda-chuva, ora o vizinho que aluga a cave a perturba com uma visita inesperada, ora o estranho rapaz vizinho, Ethan, aparece para se conhecerem e acaba numa conversa-terapia casual. Anna tem um desejo maníaco de estar no centro dos acontecimentos e, um dia, torna-se mesmo testemunha de um assassínio. Vai ter de perceber o que viu, descobrir os esqueletos no seu próprio armário e chegar à verdade sem sair de casa.

A Mulher na Janela para assistir

Sinta o medo

O filme «A Mulher na Janela» lida bem com a transmissão dos sentimentos e emoções de uma pessoa ansiosa. Através de métodos cinematográficos, mergulha o espetador num estado de neurose, medo e impotência. E eis que já está, juntamente com a protagonista, a correr pelas escadas, de janela em janela, a espreitar o que se passa através da objetiva da câmara. Planos aproximados, ângulo holandês — o diretor de fotografia esforçou-se para que o público pudesse sentir o horror na pele e ver tudo através dos olhos da protagonista. Uma calma artificial e enjoativa é emanada pelos tons azuis e rosa, e em momentos de particular tensão, o quadro enche-se de um furor infravermelho, e os espetadores são atirados para a escuridão. E então percebemos que, entre o visual e a história, o realizador claramente colocou o primeiro em primeiro lugar. 

A Mulher na Janela 2021

O assassino é o jardineiro

Apesar das emoções bem transmitidas da protagonista, do detetive e do thriller no filme, resta apenas o título. «A Mulher na Janela» quer muito confundir o espetador, virando tudo do avesso, substituindo a verdade e a ficção, mas no final corta impiedosamente todos os fios da teia, como se nomeasse o primeiro a entrar na sala como um maníaco impiedoso, mostrasse o mundo em cores de arco-íris após eliminar a fonte do mal e desaparecesse sob os créditos. «Porque sim» é uma razão demasiado fraca para colocar uma arma do crime nas mãos de um personagem e fazê-lo deleitar-se com a morte alheia. O trabalho de direção de fotografia, mesmo que feito a um alto nível, é uma razão demasiado pequena para fechar os olhos à história e à bidimensionalidade do assassino num thriller de detetive.

A Mulher na Janela Netflix

Pode-se dar como visto e esquecer

Na lista de «para ver de novo», sem dúvida, incluiria «A Rapariga Desaparecida», onde os segredos e conflitos familiares se encaixam organicamente no formato do thriller psicológico, e a série «The Act» sobre o reclusão e perda de sanidade, baseada em eventos reais. Já o thriller «A Mulher na Janela» não entra nessa lista. É uma falsificação de um dia; olhamos e o cartaz é bonito, e os nomes famosos estão em primeiro plano, mas por trás de tudo isso não há alma nem um propósito convincente, resta apenas marcar a caixa «visto» e esquecer.

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