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Recordamos o cinema incrível, maravilhoso e diversificado dos anos 80 e os filmes brilhantes, mas que não receberam a devida atenção do público daquela época.

Quais filmes vêm à mente quando se fala no cinema dos anos 80? Provavelmente, títulos como 'O Exterminador do Futuro', 'Aliens', 'De Volta para o Futuro' e muitos outros clássicos. No entanto, nos anos 80, uma enorme quantidade de filmes excelentes foi lançada, muitos dos quais não receberam a devida atenção do público. Vamos corrigir esse mal-entendido e apresentar a vocês os 10 filmes mais subestimados dos anos 80, na nossa opinião.

Prince of the City (1981)

Prince of the City

Sidney Lumet dirigiu um dos melhores filmes policiais dos anos 70, mas nos anos 80 ele não baixou o nível, atuando como diretor de 'Prince of the City'. Neste trabalho, assim como em 'Serpico', são levantadas questões sobre policiais corruptos e agentes da lei honestos.

Imagine quão meticulosa foi a abordagem de Lumet ao criar este filme: 126 diálogos e 130 locações para as filmagens. Quase 3 horas de duração deram ao autor a oportunidade de contar adequadamente a complexa história do relacionamento de um detetive que decidiu combater a corrupção na polícia.

Thief (1981)

Thief

Hoje, Michael Mann é mais conhecido como produtor ou diretor de filmes de ação desajeitados e antiquados (veja 'Cyber'), mas nos anos 80 e 90 ele foi um dos principais realizadores de cinema inteligente e emocionante. No entanto, nem todos os seus trabalhos dessas décadas receberam a devida atenção do grande público. Se 'Fogo Contra Fogo' todo mundo viu, o filme 'Thief' raramente é lembrado quando se fala das melhores obras de Mann. E é uma pena.

Em seu filme de estreia, Mann em grande parte definiu o estilo geral de muitos filmes de Hollywood para a década seguinte. Ele usou habilmente várias técnicas modernas de filmagem, sem esquecer que no centro da história deveria estar um personagem forte e carismático (interpretado aqui por James Caan).

Na trama, o herói de Caan, um ladrão experiente, sonha com uma vida normal, e para isso aceita um acordo com um perigoso chefe da máfia e decide realizar um trabalho difícil, mesmo sabendo que policiais corruptos estão em seu encalço.

'Thief' é um poderoso e estiloso filme de crime, cujos ecos podem ser vistos em muitos filmes posteriores sobre temas semelhantes.

Blow Out (1981)

Blow Out John Travolta

O filme 'Blow Out' não é a obra mais notável na filmografia de Brian De Palma, especialmente em comparação com 'Scarface' e 'Os Intocáveis'. Sem dúvida, o filme com John Travolta (talvez o melhor papel de sua carreira) dificilmente pode ser considerado uma obra-prima, mas certamente merece mais reconhecimento.

A história conta sobre um sonoplasta chamado Jack, que trabalha em filmes de segunda categoria. Em um dia de trabalho, enquanto grava sons para um novo filme, ele testemunha acidentalmente um acidente de carro e depois salva uma garota de um carro que está afundando. Ao mesmo tempo, ele consegue gravar um som misterioso que pode servir como prova de assassinato, e não de um acidente, como a polícia considera o ocorrido.

Este trabalho pode ser caracterizado como um típico filme de De Palma — um thriller imprevisível, uma homenagem obrigatória à obra de Hitchcock, um final emocionante e espetacular. E tudo isso é lindamente filmado e ainda melhor interpretado por John Travolta e John Lithgow.

Diner (1982)

Diner

Imagine Daniel Stern, Mickey Rourke, Kevin Bacon e Steve Guttenberg juntos, apenas brincando, conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo. Concorda, dá vontade de ver essa turma?

Este filme do diretor Barry Levinson pertence ao gênero do chamado cinema sem enredo ou slice of life. Aqui, basicamente, não há começo nem fim, há apenas um pequeno recorte da vida, cheio de humor, observações da vida real e situações cotidianas que todos conhecem.

Levinson conseguiu capturar neste filme o momento de transição da vida despreocupada para a vida adulta, com sua responsabilidade e falta da antiga leveza. Ao mesmo tempo, ao assistir, não nos abandona um sentimento de nostalgia por um tempo que está passando.

O Quarto Homem (De vierde man, 1983)

O Quarto Homem Paul Verhoeven

'Instinto Selvagem', 'O Vingador do Futuro', 'RoboCop' — todos esses são filmes cult que Paul Verhoeven dirigiu em Hollywood. No entanto, também na fase holandesa de sua carreira, houve filmes que mereciam mais atenção do público. Por exemplo, nos anos 80, ele adaptou a novela de Gerard Reve, onde o personagem principal é um escritor, alcoólatra, misantropo e bissexual, que não se furta à busca de Deus.

A história contada por Reve e Verhoeven lembra um sonho horrível, no qual uma loira fatal semeia sexo e morte por toda parte. O diretor, de forma alucinógena, reflete sobre o poder da obsessão carnal sobre a mente humana, enquanto pondera sobre a força e o lugar da religião na vida do homem.

E sem compromissos ou finais felizes de Hollywood, apenas um mergulho lento no abismo da loucura e uma agonia semelhante àquela experimentada pela vítima de uma aranha, imobilizada em sua teia.

Depois de Horas (After Hours, 1985)

Depois de Horas

Martin Scorsese é geralmente falado como um mestre do cinema de gângsteres e um especialista em criar thrillers criminais. Hoje em dia, poucos se lembram que nos anos 80 o diretor experimentou o campo da comédia e o fez com bastante elegância, como, por exemplo, no filme 'Depois de Horas'.

O enredo do filme é simples à primeira vista — um programador cansado decide descansar como deve ser depois do trabalho, mas ele ainda não suspeita aonde o levará um encontro casual com uma beldade no café.

Scorsese habilmente mergulha o herói em uma espécie de labirinto chamado 'Cozinha do Inferno' de Nova York, confrontando-o repetidamente com os personagens mais surpreendentes e situações absurdas, levando tudo a um verdadeiro grotesco.

O filme foi considerado um fracasso total de bilheteria na época, mas o próprio Martin Scorsese, como diretor, conseguiu vencer no Festival de Cinema de Cannes.

Quase Escuro (Near Dark, 1987)

Quase Escuro

Um dos primeiros filmes de Kathryn Bigelow ('Caçadores de Emoção', 'Guerra ao Terror'), um filme sobre vampiros no qual Johnny Depp poderia ter estrelado, uma obra que combina elegantemente os gêneros de terror e faroeste — tudo isso é sobre 'Quase Escuro' (às vezes traduzido como 'Crepúsculo').

Muito antes de se tornar moda, Bigelow mostrava uma história de amor entre um humano vivo e um vampiro ao som da banda Tangerine Dream. Ao mesmo tempo, o filme funciona não apenas como uma história sentimental de relacionamento, mas também como um terror sangrento e incrivelmente atmosférico, como evidenciam as cenas de selvageria da gangue de sugadores de sangue (especialmente bom nesse aspecto é o sempre coadjuvante Bill Paxton).

O Príncipe das Trevas (Prince of Darkness, 1987)

O Príncipe das Trevas

John Carpenter é um diretor que dispensa apresentações. Seus trabalhos podem ser considerados a verdadeira personificação do cinema americano daquela época.

No centro da trama está um grupo de cientistas que tem a oportunidade de estudar um misterioso recipiente com mais de 7 milhões de anos, contendo uma substância enigmática.

O mais curioso neste filme é que o autor decidiu tentar combinar duas coisas aparentemente incompatíveis na luta contra o sobrenatural: a ciência e a religião. Para aumentar a tensão e o efeito de claustrofobia, Carpenter coloca seus heróis em uma igreja trancada, onde gradualmente começa a acontecer uma verdadeira assombração.

Os Suburbanos (The 'Burbs, 1989)

Os Suburbanos Tom Hanks

Joe Dante, especialista em cinema familiar, no final dos anos 80 presenteou o mundo com um filme de comédia extremamente curioso chamado 'Os Suburbanos', com Tom Hanks no papel principal.

Em um pequeno subúrbio, instala-se uma nova e misteriosa família chamada Klopek, cujos membros não falam com nenhum dos vizinhos, gerando uma série de boatos. E à noite, sons estranhos vêm de sua casa...

Este filme tem todos os ingredientes de um bom filme familiar — personagens divertidos, interpretados por atores talentosos, humor bem-sucedido, um enredo simples, mas envolvente.

O Gigante (The Tall Guy, 1989)

O Gigante

Richard Curtis ('Simplesmente Amor', 'O Garoto do Futuro') já escrevia comédias românticas nos anos 80, e a história do filme 'O Gigante' ele confiou ao diretor Mel Smith.

Neste filme, um ator fracassado participa de uma peça absolutamente idiota, graças à qual consegue se destacar. Os papéis principais foram interpretados por Jeff Goldblum e Emma Thompson, mas não podemos esquecer do habitual nos filmes de Curtis, Rowan Atkinson.

'O Gigante' é uma comédia engraçada, charmosa e romântica, que permite descansar a alma enquanto se assiste.