Sobre bloqueadores de internet, velocímetro quebrado e lixo na estrada.
Contexto: tenho carteira de motorista há três meses. Queria comprar um carro novo por um milhão e meio de rublos, mas percebi que teria medo de dirigir, então decidi procurar algo usado e acabei escolhendo o que queria há quase cinco anos. Encontrei-o numa concessionária de carros usados no Auto.ru, fui lá e iniciei o processo de compra. Como mostra minha experiência de comprar uma casa, não sou boa em escolher por muito tempo. Gostei? Levo.
Como era domingo, muitas pessoas estavam comprando e consertando carros, então a comida no café acabou. Na quinta hora do negócio (não figurativamente, literalmente, passei 6 horas na concessionária), tiveram pena de mim e me venderam pelmeni por baixo do pano.
Quando tudo finalmente ficou pronto, levaram mais uns 20 minutos para colocar as placas lentamente e, como a preguiça de "Zootopia", organizar os papéis na pasta.
Depois me parabenizaram, me colocaram no carro e acenaram.
Mais ou menos um quilômetro depois, percebi que a navegação não funcionava. O taxista que me levou também não tinha navegação, então me controlei, parei perto de um lava-jato e pedi a uma pessoa aleatória que me explicasse como chegar ao MKAD. Ele gesticulou muito e de forma inteligente, eu acenei. Entrei no carro e fui.
Encontrei a entrada do MKAD rapidamente. Mas assim que entrei e comecei a acelerar, percebi que o velocímetro não funcionava.
Pisca-alerta, liguei para a concessionária, já um pouco em pânico. A navegação ainda não funcionava.
O gerente: "Nossa, o velocímetro não funciona, mas você vai levá-lo ao serviço de qualquer jeito, então vá devagar na velocidade do fluxo!".
O tempo estava chegando ao fim do dia, não sei dirigir no escuro, preciso chegar em casa antes de anoitecer.
Acelero e começo a andar na velocidade do fluxo, mais ou menos pela sensação. Não dirijo acima de 70 km/h, então vou na velocidade confortável para mim, acelerando junto com o fluxo.
A floresta ao redor fica mais densa. Pelas placas, percebo que estou indo PARA FORA de Moscou.
O mapa, como descobri, ainda não funciona e mostra a rota errada.
Enquanto dirijo, tento abrir outro, mas também não funciona. Vejo uma espécie de sauna abandonada com hotel, viro para lá, tento entender onde estou, o mapa não liga.
Cuspo no mapa, decido seguir em frente até que a área de bloqueio de internet termine ou eu encontre um retorno. Afinal, tenho meio tanque de gasolina e o carro anda com bastante confiança, embora tenham me avisado que a transmissão precisa de diagnóstico.
Mas ele anda. E eu ando. Nem buzinaram para mim.
O plano funciona, uns cinco quilômetros depois o mapa liga e mostra a rota. Faltam apenas 40 minutos para casa, preciso dar algumas voltas em lugares pitorescos (e vazios, graças a Deus), entrar na direção correta do MKAD e seguir tranquilamente para a Rodovia Yaroslavl, onde é só seguir em frente, e depois eu lembro.
Estou dirigindo. O sol poente começa a me cegar, não vejo nada e acho que passei no sinal vermelho. A sinalização na estrada acaba. Simplesmente imagino duas fileiras de carros à minha esquerda, me oriento pelo carro que está ATRÁS, porque não há carros na frente e eles começam a andar torto.
E então um pedaço de plástico enorme atinge meu para-brisa, cobrindo metade da visão, mas desliza para baixo.
Decido... Não fazer nada. Esse pedaço de plástico vai cair algum dia (não, não caiu, enroscou no suporte da placa e ficou preso).
Estou dirigindo. Às vezes canto para me acalmar. Do estresse, às vezes perco a atenção, mas o carro anda reto e firme, então deslizo no banco para baixo e sigo em frente.
Chego em casa, estaciono como uma rainha, arranco furiosamente o plástico do para-choque, por causa do qual todos olhavam para mim como se eu fosse idiota, e vou pegar minhas compras da Ozon.
Viva e com um carro agora. Vermelho. E como eu queria há muito, muito tempo.
Acho que não tenho mais medo de nada.
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