Enquanto a Marvel continua a explorar as ideias do multiverso e, em pânico, traz de volta Robert Downey Jr., a Nintendo está montando silenciosamente sua equipe de tela — e parece que ela tem um trunfo mais forte que o Doutor Destino. Em abril de 2027, "The Legend of Zelda" chegará aos cinemas — e há a sensação de que este lançamento será o ponto após o qual a indústria finalmente reconhecerá que a era está mudando, e que não serão os super-heróis que a definirão.
O público está cansado de heróis de collant
O gênero de super-heróis está passando por uma crise, para dizer o mínimo. O "Quarteto Fantástico" do ano passado teve um início forte nas bilheterias, mas já na segunda semana caiu 66%. No final, o filmal mal ultrapassou US$ 500 milhões mundialmente. O público claramente decidiu que uma ida ao cinema era suficiente. Embora antes as pessoas fossem a esses blockbusters mais de uma vez, fazendo a bilheteria dos filmes de super-heróis disparar.
"Trovões*" conseguiram boas críticas e ainda assim ficaram no vermelho — um feito raro que antes parecia impossível para grandes lançamentos da Marvel. Os analistas honestamente citam a saturação de histórias de super-heróis tanto nas telonas quanto nas telinhas (só este ano a Marvel já lançou 2 séries). Pode-se acrescentar que toda a bilheteria de 2025 estagnou, e mesmo pesos pesados como "Zootopia 2" e "Avatar: Fogo e Cinzas" não conseguiram tirar a indústria do buraco.
Nesse contexto, o estúdio Marvel está preparando o crossover grandioso "Vingadores: Doutor Destino" para dezembro de 2026 como uma espécie de último recurso dos reis — mas o gosto amargo dos fracassos anteriores não pode ser lavado com um único lançamento bem-sucedido (não há dúvida de que será bem-sucedido, caso contrário, o MCU pode ser encerrado).
A Nintendo age de forma diferente — e funciona
Enquanto a Marvel tenta colar as rachaduras em seu universo outrora monolítico, a Nintendo está construindo seu império cinematográfico de acordo com um projeto completamente diferente. O sucesso de "Super Mario Bros. - O Filme" em 2023 não foi um golpe de sorte único, mas um tiro de partida: em seguida, 4 novos filmes foram confirmados, incluindo "Super Mario: O Filme Galáctico" (mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias, o projeto de maior bilheteria de 2026 até o momento).
Ao mesmo tempo, a Nintendo alimenta o interesse por seus projetos de várias maneiras. Por exemplo, o personagem icônico para os jogadores, Fox McCloud, apareceu na sequência de "Super Mario" com a voz do moderno Glen Powell ("O Herdeiro"), e em seguida, para a nova geração de jogadores, foi lançado um remake de grande sucesso do jogo Star Fox no Nintendo Switch 2 — agora, quando o longa-metragem sobre a raposa for lançado, não há dúvidas de que ele arrecadará uma boa bilheteria.
Cada franquia vive sua própria vida, cada história se desenvolverá de forma independente — e é exatamente isso, ao que parece, que salvará a Nintendo do cansaço do gênero que sufoca a Marvel.
"Link, você deve me encontrar..."
"The Legend of Zelda" é um verdadeiro teste de resistência para todo o conceito. O diretor Wes Ball, conhecido pela trilogia "Maze Runner", assume um material muito mais sombrio e mitológico do que o alegre Mario cartoon, que encanta igualmente adultos e crianças. Nos papéis principais do próximo filme estão Benjamin Evan Ainsworth como Link e Bo Bragason como a princesa Zelda. As filmagens já foram concluídas, o filme entrou em fase de pós-produção, e a equipe comemora essa etapa com alívio evidente — a maratona de produção não foi fácil.
O caminho do filme até as telas, aliás, foi tortuoso. Primeiro, a data foi anunciada para 26 de março de 2027 através do recurso Nintendo Today. Depois, o lançamento foi adiado para 7 de maio — Miyamoto explicou isso por "razões de produção" e pela promessa de levar o filme ao nível de qualidade desejado. E literalmente em maio de 2026, a data foi inesperadamente adiantada em uma semana — para 30 de abril de 2027, para coincidir com a Semana Dourada japonesa (uma sequência de feriados que cai no final de abril/início de maio).
3 adiamentos em 3 anos — não é motivo para pânico, mas sim um sinal de que na Nintendo não têm pressa apenas para marcar presença no calendário de lançamentos.
Filosofias diferentes — resultados diferentes
Se resumirmos tudo em uma tabela, a diferença entre as abordagens se torna quase indecentemente óbvia.
| Parâmetro | Marvel (MCU) | Nintendo |
|---|---|---|
| Estrutura | Universo único interconectado com enredos cruzados | Franquias separadas e independentes, sem crossover obrigatório |
| Estado atual da bilheteria | Quedas e prejuízos mesmo em filmes com boas críticas | Crescimento estável após o sucesso de 'Super Mario Bros. - O Filme', novos lançamentos a cada ano |
| Abordagem aos prazos | Cronograma de produção apertado para estabilidade do calendário de lançamentos | Disposição para adiar a data três vezes em prol da qualidade |
| Próximo grande lançamento | "Homem-Aranha: Um Novo Dia" | "The Legend of Zelda" |
| Tom do próximo material | Quadrinesco, irônico, às vezes cansado de si mesmo | Sério, mitológico, diretor de suspense no comando |
Engraçado que o público parece estar cansado não tanto da ideia de super-heróis em si, mas da sensação de uma esteira rolante, onde cada filme seguinte existe apenas para anunciar o próximo. A Nintendo, nesse sentido, joga um jogo diferente — literal e metaforicamente: ela dá a cada história o direito de ser completa, sem servir como um outdoor publicitário para futuras continuações (embora deixe espaço para um pequeno anúncio, como no caso de Fox McCloud).
Então, Zelda encerrará a era Marvel?
A declaração bombástica sobre o "fim da era Marvel" soa bem no título, mas isso, claro, não é uma sentença de morte. A Marvel não desaparecerá após abril de 2027, mas o centro de gravidade cultural já está mudando visivelmente. O público busca histórias com dramaturgia completa, e não uma série interminável disfarçada de universo cinematográfico. E se "The Legend of Zelda" funcionar — e todos os sinais apontam para uma interpretação séria e adulta, sem sombra de ironia sobre o próprio material — isso será a prova de que os japoneses escolheram a tática certa para conquistar as telonas em meio a uma Marvel em declínio.
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